Viagem à Dublin, IRLANDA. Bate e volta a partir de Londres.

DUBLIN a casa da famosa cervejaria GUINNESS.

Lá fui eu novamente passear de trem! Já que eu estava na Inglaterra, resolvi dar um pulinho na Irlanda para conhecer a tão falada Dublin.

Na hora de sair de Londres e fazer a  travessia para Dublin, passei por algumas situações:

1º perrengue: comprei tudo antecipado, como de costume, cheguei com antecedência à estação, mas o trem foi cancelado várias vezes nesse dia.

2º perrengue: além do trem, eu ainda precisava pegar um ferry para atravessar entre o Reino Unido e a Irlanda. Acabei perdendo o primeiro ferry por causa do atraso do trem.

3º perrengue: no segundo ferry, a atendente me liberou para embarcar, mas não liberou meu marido. Depois, cancelou a minha entrada devido à lotação!

Conseguimos fazer a travessia apenas no terceiro ferry e chegamos à meia-noite em Dublin. Já falei outras vezes aqui sobre esse transporte, que para mim é como um mini cruzeiro. Essa foi a primeira vez que embarquei no ferry dentro de um ônibus! Sim, nesse ferry entraram carros, caminhões, ônibus e pedestres. O bom do ferry é que dá um tempo para nós, viajantes, descansarmos as pernas, fazermos comprinhas no duty free, se for do agrado, e, dependendo do horário, assistir ao pôr do sol.

No próprio terminal há um ônibus que leva até o centro da cidade. Caminhamos um pouco e encontramos o hotel. Por sorte, a atendente do hotel era brasileira… porque naquela hora eu já não queria falar com ninguém, imagine em outro idioma. Mesmo programando tudo, há coisas que fogem do nosso controle.

Depois de recarregar as energias, é hora de explorar Dublin. De longe, já conseguimos avistar alguns dos prédios da Guinness. Não tenho certeza, mas acredito que a cervejaria ocupa mais de um quarteirão da cidade. Eu estava muito animada para o tour na Guinness, e a experiência não me decepcionou. Guinness Storehouse: que experiência fascinante! Arthur Guinness realmente era um homem à frente de seu tempo. Dizem que, em 1759, ele assinou um contrato de arrendamento de NOVE MIL ANOS na St. James’s Gate Brewery, em Dublin. Coragem! Esse homem tem meu respeito.

A Guinness Storehouse é uma construção de sete andares, supermoderna e totalmente interativa. Vamos combinar que o marketing da Guinness é sensacional. Pensa comigo: a empresa praticamente tem um único produto, a cerveja, e você a reconhece em qualquer lugar do mundo — na embalagem ou no copo. Explico meu ponto: a embalagem minimalista, exaltando a logo da harpa e o nome da cervejaria, é ímpar. E, no copo, a coloração escura e a espuma típica não deixam dúvidas.

Além disso, existe o chamado “serviço de duas etapas”. Essa seria a maneira correta de encher o copo. Segundo a Guinness, é segurar o copo em um ângulo de 45 graus, enchê-lo até três quartos (até o topo da harpa), deixá-lo descansar por um minuto e 32,5 segundos e depois completá-lo, mantendo-o reto abaixo da torneira. Sim, é isso mesmo. Se você vai retirar um pint que está esperando no “tapetinho das cervejas”, você é repreendido!

A experiência na Guinness só fica completa com a degustação da cerveja. Agora, imagina que legal ver a sua fotografia ganhar vida na espuma cremosa da cerveja! Sim, a Guinness oferece essa experiência. Você vai até a sala THE STOUTie, tira a fotografia na cabine e depois retira sua cerveja com o atendente — tudo isso em poucos minutos. São 8 euros (maio de 2024), então fiz uma foto apenas com meu amor. (Tentei filmar, mas o atendente colocou a mão na frente e disse que não podia!)

Saí da espuma cremosa da Guinness direto para a atmosfera solene da Catedral de São Patrício. Eu adoro visitar igrejas, e a Catedral de São Patrício tem um significado especial para mim. Em 2013, fiz uma girls trip e visitei a Catedral de São Patrício em NY com minha amiga (conseguimos até assistir a uma missa) e trouxe uma medalhinha para minha prima. As duas passaram por momentos muito difíceis nos últimos anos e, como São Patrício é o padroeiro da Irlanda, achei justo agradecer e rezar por elas lá.

A catedral é belíssima e, reza a lenda, foi construída ao lado de um poço onde St. Patrick batizava os fiéis que se convertiam. A catedral também tem histórias ligadas à cervejaria Guinness. Em 1860, Benjamin Lee Guinness escreveu uma carta ao conselho oferecendo-se para arcar com o custo total da restauração da catedral. Em 1897, o filho de Benjamin Lee Guinness, Edward Guinness, doou à catedral 10 sinos da John Taylor and Co.. Parece que a família gosta da catedral tanto quanto eu gostei!

Além da relação da família Guinness com a catedral, Dublin guarda outros marcos históricos igualmente fascinantes, como o Castelo de Dublin. Construído no início do século XIII, no local de um antigo assentamento viking, serviu por séculos como sede da administração inglesa e britânica na Irlanda. Após a independência, em 1922, o Castelo de Dublin foi entregue ao novo governo irlandês.

As dependências do castelo são bonitas, mas nada extraordinário se comparadas a outros castelos que já visitei.

Do Castelo de Dublin, a caminhada pelas ruas levou ao famoso Temple Bar Pub — um dos pontos turísticos mais icônicos da cidade e da Irlanda — e também ao Hard Rock Café, parada obrigatória para os colecionadores (neste caso meu marido).

A cidade parecia estar me contando sua história em capítulos: primeiro o Castelo, depois uma igreja convertida em bar, o vibrante The Church Café Bar. O The Church Café Bar é um local bem interessante de se conhecer. Uma antiga igreja do século XVII que hoje abriga um dos bares e restaurantes mais badalados de Dublin. A Igreja da Irlanda de Saint Mary (antigo nome) foi aberta em 1701. Foi a primeira igreja paroquial clássica da cidade e também o local do casamento do fundador da Guinness, Arthur Guinness, e Olivia Whitmore em 1761.

Boa comida, bebidas e apresentações de dança e música tradicional tornam a visita imperdível. Vale a pena conhecer — mas não esqueça de fazer reserva.

No dia seguinte pela manhã, já no meu último dia em Dublin, vivi outra experiência marcante: o tour na antiga Destilaria Jameson, em Bow Street. Quem nunca viu a famosa garrafa verde de whiskey da marca? Eu mesma nunca fui grande fã da bebida e raramente dava atenção a essa garrafa, mas depois da visita, a marca conquistou meu respeito.

Fundada em 1780 por John Jameson, a destilaria foi durante quase dois séculos o local de produção do whiskey que se tornaria um dos mais reconhecidos do mundo. Segundo a marca, a suavidade característica do Jameson vem do processo exclusivo de tripla destilação, refletido no lema: “Coisas boas vêm em triplicidade”.

O tour é uma verdadeira viagem pela história e pelo processo artesanal de fabricação do whiskey irlandês. Os visitantes percorrem as antigas áreas de moagem, maceração, fermentação, destilação e maturação, acompanhados por guias que explicam cada etapa com detalhes.

Além disso, a destilaria se tornou um espaço cultural e turístico que preserva a memória industrial de Dublin. Situada no animado bairro de Smithfield, ela combina autenticidade histórica com tecnologia interativa, tornando a visita envolvente até para quem não é apreciador da bebida.

Aprender sobre a tradição e o processo de fabricação do whiskey na antiga Destilaria Jameson foi enriquecedor e divertido. Se você for a Dublin, não deixe de incluir essa experiência no roteiro — é uma forma única de conhecer mais sobre a cultura irlandesa e sua paixão pelo whiskey.

Para equilibrar sabores e saberes, nada melhor do que mergulhar também na riqueza acadêmica de Dublin. Depois da visita à Destilaria Jameson, ainda tivemos tempo de passear pelas ruas cheias de charme da cidade e conhecer a Universidade de Dublin, o renomado Trinity College Dublin. Fundada em 1592 pela Rainha Elizabeth I, é a instituição mais antiga e prestigiada da Irlanda, localizada bem no coração da cidade. O campus é enorme e impressiona com sua arquitetura histórica, que contrasta lindamente com o movimento moderno das ruas ao redor. Caminhar por ali é como mergulhar em séculos de tradição acadêmica.

Para encerrar minha viagem por Dublin, saímos pelas ruas próximas ao hotel e decidimos escolher aleatoriamente um lugar para jantar. Meu marido avistou um bar com uma fachada curiosa e achou que seria uma ótima oportunidade de conhecer algo diferente. Entrei desconfiada, e minha impressão não melhorou ao escolher uma mesa: pensem em um ambiente escuro, onde quase nada era visível além de sombras e o som alto das conversas ao redor. A situação era tão inusitada que eu não conseguia parar de rir.

Quando a pizza finalmente chegou, mal enxergávamos as fatias! Mas, para nossa surpresa, o sabor era maravilhoso — uma verdadeira revelação gastronômica em meio ao cenário improvável. Essa mistura de estranheza e diversão transformou o jantar em uma experiência única. Por isso, deixo aqui minha recomendação: o Frank Ryan’s Bar, um lugar excêntrico que prova como Dublin pode surpreender até nos momentos mais inesperados.

Dublin é uma cidade que mistura passado e presente, fé e diversão, e que certamente deixou lembranças inesquecíveis.

Até breve. Gi

 

top spot

A Guinness Storehouse é uma experiência que merece um dia inteiro, explorando cada andar com calma, descobrindo curiosidades sobre a cerveja e mergulhando na história da marca. E o melhor de tudo é terminar a visita brindando a viagem com um pint no topo de Dublin.

feelings

Apesar de eu ter gostado de conhecer Dublin, não foi uma cidade que me cativou a ponto de despertar vontade de voltar para explorar mais. Durante a estadia, fiquei em um hotel próximo à cervejaria Guinness, o que facilitou bastante, já que consegui fazer todos os passeios a pé. Por isso, acabei não tendo nenhuma experiência com o transporte público da cidade.

info

Estive em Dublin no mês de maio de 2024. Para chegar até lá, fiz o trajeto clássico que combina trem e ferry: primeiro, viajei de Londres até Holyhead pela linha operada pela Avanti West Coast, partindo da estação London Euston e chegando em cerca de 4 horas ao litoral do País de Gales. De lá, embarquei rumo à Irlanda — as duas principais companhias que operam a rota HolyheadDublin são a Irish Ferries e a Stena Line, com uma travessia que dura, em média, 3 horas e 15 minutos.
Para o transporte do porto até o centro da cidade, existe o serviço do Dublin Bus. É possível pagar diretamente ao motorista em dinheiro (somente moedas) ou utilizar o Leap Card, que oferece tarifas mais econômicas e pode ser recarregado em diversos pontos da cidade.

 

 

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