Minha experiência na Oktoberfest de Munique: cerveja, cultura e sabores inesquecíveis. Guia completo da maior festa da cerveja do mundo.
A magia das tendas de cerveja: música, dança e tradição bávara. Por que a Oktoberfest é imperdível em Munique.
Bem-vindos, oktoberfesteiros!
Se você chegou até este post, imagino que compartilha comigo a paixão pela maior festa da cerveja do mundo. Para contextualizar: moro no litoral de Santa Catarina e, aqui pertinho, em Blumenau, acontece nada menos que a segunda maior festa cervejeira do planeta. Tenho ascendência alemã — como muitos catarinenses, descendentes dos imigrantes que tanto contribuíram para o nosso estado — e sou apaixonada pelas tradições, pela cultura, pela gastronomia e, claro, pela cerveja.
Ir à Oktoberfest de Blumenau é quase um ritual para nós. Na época de colégio e faculdade, fazíamos excursões, e hoje vou todos os anos com meu marido. Muita gente não acredita, mas é uma festa para toda a família: a diversidade de idades que se encontra lá é impressionante.
Mas hoje quero falar da Oktoberfest de Munique. Planejamos nossa viagem ao Leste Europeu para que os últimos dias coincidissem com a abertura da festa e partimos de trem da República Tcheca rumo à Alemanha, mais do que felizes por poder aproveitar cada momento dessa celebração icônica.
Como visitamos a cidade de Munique em 2017 (se quiser ver meu roteiro pela cidade, clique aqui), nossa estadia foi dedicada a aproveitar a festa ao máximo. Assim que desembarcamos na estação München Hauptbahnhof, deixamos nossas malas — duas grandes e uma de mão — nos lockers e seguimos com o coração leve, prontos para mergulhar na atmosfera da Oktoberfest. Os corredores da estação já anunciavam o que estava por vir: lojas próximas exibiam trajes típicos alemães nas vitrines, como se nos convidassem a entrar imediatamente no espírito da festa. Achei o processo de usar os lockers um pouco complicado, alugamos dois, mas dessa maneira estávamos livres para explorar.



Com a lista de lojas que havia pesquisado e as dicas da nossa host, saímos à procura dos trajes. Eu já possuía um, comprado na minha primeira visita a Munique, mas desta vez decidi deixá-lo em casa. Como seria nosso último destino, carregar o traje significaria peso e volume extras na mala — e eu queria viajar leve, pronta para novas descobertas. Assim, estabeleci um valor para investir em um novo e segui firme com meu plano.
Acabei encontrando meu Dirndl na loja Lederhosen & Dirndl Outlet München e, para minha surpresa, meu marido também decidiu comprar um Lederhosen. A cena já era um ensaio para o espírito da festa: a senhora do caixa brindava com Jägermeister cada cliente que saía com seu traje, transformando a compra em uma celebração antecipada da Oktoberfest. Nós, claro, aproveitamos o brinde e entramos de vez no clima festivo.



Munidos dos nossos trajes recém-adquiridos, retornamos à estação para buscar as malas, tomamos um café rápido e seguimos para a hospedagem. Já acomodados, fomos ao mercado comprar nosso jantar e descansar, guardando energia para o grande dia da abertura da Oktoberfest.
Quer descobrir como usar o traje típico e entrar de vez no espírito da Oktoberfest? Então venha conferir este meu post — preparei tudo com carinho para que você viva essa tradição bávara da forma mais autêntica possível.
Com o amanhecer, chegou o dia mais esperado da viagem: a abertura da maior festa da cerveja do mundo. O ar frio da manhã trazia consigo uma mistura de expectativa e entusiasmo. Graças às pesquisas feitas antes da viagem, sabíamos que era essencial chegar cedo para garantir um lugar dentro de alguma tenda. Você provavelmente já viu vídeos da abertura dos portões, com multidões correndo para conquistar seu espaço — e é exatamente assim que acontece.
Levantamos às 7h, tomamos café e, trajados, seguimos a pé rumo ao Theresienwiese. O friozinho nos acompanhava, mas cada passo parecia aquecido pela energia da cidade que despertava para a festa. Foram cerca de 30 minutos de caminhada por ruas encantadoras, onde uma igreja imponente e um parque cheio de vida nos lembravam que Munique é muito mais do que a Oktoberfest.








À medida que nos aproximávamos dos portões, já perto das 9h, o som do burburinho da multidão. Avistamos então a imensa fila que se formava para a entrada — e naquele instante, percebemos que a festa já havia começado, mesmo antes de cruzar os portões.
Esperamos alguns minutos na fila, ouvindo uma mistura de idiomas que revelava a diversidade dos visitantes. Sentíamo-nos alegres por poder participar desse momento único da festa. A entrada é gratuita, mas não é permitido entrar com malas ou mochilas. Em frente ao portão oficial há diversos lockers pagos para guardar pertences.
No primeiro sábado da Oktoberfest em Munique, às 09h00 os portões do Theresienwiese se abrem e os visitantes podem entrar no recinto. Às 10h00 as tendas começam a receber o público, embora ainda não sirvam cerveja — é o momento de garantir um lugar. E, finalmente, ao meio-dia, a festa é oficialmente aberta com a sangria do primeiro barril na tenda Schottenhamel.
Passamos pela revista e registramos uma bela foto em frente ao portal de entrada. Entramos animados por finalmente conhecer a famosa festa. Já havíamos escolhido previamente a tenda em que ficaríamos — a Hacker-Festzelt, da cervejaria Hacker-Pschorr-Bräu — então não perdemos tempo e seguimos apressados.








Quando entramos, a tenda já estava praticamente lotada, mas como éramos apenas dois, foi mais fácil encontrar quem nos aceitasse em sua mesa. Acabamos nos juntando a dois casais americanos e um casal dinamarquês. Tudo era novidade para mim: a Oktoberfest de Blumenau é bem diferente, e eu estava super agitada para observar cada detalhe. Ao contrário de mim, muitos participantes não eram novatos; alguns passavam a manhã jogando cartas enquanto aguardavam a sangria do primeiro barril.
Até o meio-dia, só são vendidos pretzels, água e refrigerantes — nada de comida quente ou bebidas alcoólicas. Antes da sangria do primeiro barril, acontece o tradicional desfile das carroças das cervejarias. Elas percorrem o centro de Munique levando barris decorados e trajes típicos até o Theresienwiese, preparando o público para a cerimônia oficial.
O momento mais aguardado ocorre na tenda da cervejaria Schottenhamel Festhalle, considerada o coração da Oktoberfest. Ali, ao meio-dia, o prefeito de Munique (Oberbürgermeister) realiza a sangria do primeiro barril com um martelo de madeira. A primeira caneca é servida ao ministro-presidente da Baviera, reforçando o caráter oficial e tradicional da abertura.
Esse ritual, somado ao desfile das carroças, simboliza a união entre a tradição bávara e a celebração popular. Estar presente nesse instante é como assistir ao nascimento da festa: só depois da proclamação “O’zapft is!” as demais tendas podem começar a servir cerveja.








Em 2025, a Oktoberfest de Munique contou com 14 tendas grandes, 21 tendas pequenas e ainda 3 tendas especiais na área histórica chamada Oide Wiesn. Todas as cervejas servidas vêm exclusivamente das seis grandes cervejarias tradicionais de Munique, que também participam do desfile de carroças no primeiro dia. A festa só pode servir cerveja produzida dentro dos limites da cidade. O desfile é restrito às cervejarias, e não às tendas em si, reforçando a tradição e o protagonismo das marcas históricas de Munique.
As seis cervejarias tradicionais são: Augustiner-Bräu, Hacker-Pschorr-Bräu, Hofbräu München, Löwenbräu, Paulaner-Bräu e Spaten-Franziskaner-Bräu.
Tendas e respectivas cervejarias:
Schottenhamel Festhalle cervejaria Spaten-Franziskaner-Bräu
Hofbräu Festzelt cervejaria Hofbräu München
Hacker-Festzelt cervejaria Hacker-Pschorr-Bräu
Augustiner-Festhalle cervejaria Augustiner-Bräu
Löwenbräu Festhalle cervejaria Löwenbräu
Paulaner Festzelt (Winzerer Fähndl) cervejaria Paulaner-Bräu
Armbrustschützenzelt cervejaria Paulaner-Bräu
Bräurosl (Pschorr-Bräu) cervejaria Hacker-Pschorr-Bräu
Ochsenbraterei cervejaria Spaten-Franziskaner-Bräu
Fischer-Vroni cervejaria Augustiner-Bräu
Käfer Wiesn-Schänke cervejaria Paulaner-Bräu
Marstall Festzelt cervejaria Spaten-Franziskaner-Bräu
Schützen-Festzelt cervejaria Löwenbräu
Weinzelt Nymphenburger Sekt (vinho espumante)
Já integrados à nossa mesa de espírito cosmopolita, avistamos alguns conterrâneos famosos de Santa Catarina. Em outros lugares seria quase impossível conseguir uma foto com essa turma, mas ali, no meio da Oktoberfest de Munique, tudo parecia mais leve e acessível. Entre conversas e risadas, encontramos o irreverente IndaVirus, o sempre animado Gustavo e o Lauro Antigo. Além deles, estavam presentes Alberto — o Mecânico —, o Sargento Junkes e também Guilherme da Havan. Foi como se Blumenau e toda a região tivessem atravessado o Atlântico e se instalado dentro da tenda, misturando-se ao espírito bávaro da festa. O encontro inesperado deu ainda mais sabor àquele momento, transformando-o em uma lembrança inesquecível.
Cada tenda tem sua própria decoração e disposição de palco e mesas. Na nossa, o palco ficava no centro, cercado pela famosa decoração conhecida como Himmel der Bayern (Céu da Baviera): um teto azul-claro com nuvens brancas pintadas, criando a sensação de estar sentado ao ar livre sob um céu bávaro. Essa atmosfera única é justamente o que torna a Hacker-Festzelt uma das mais populares da Oktoberfest.
Quando chegou a hora da abertura, começamos a perceber a movimentação da banda típica. Conseguimos assistir uma parte do desfile das carroças de barris que adentravam o Theresienwiese. Até que o cortejo chegou à nossa tenda trazendo não apenas os barris, mas também a realeza da Oktoberfest de Blumenau — uma surpresa e tanto, já que em Munique não existe essa tradição.






As cervejas são servidas em Maß, o tradicional caneco bávaro que corresponde a 1 litro de cerveja. Embora também existam opções menores, particularmente não vejo graça em estar ali e não pedir o caneco clássico. E há um detalhe importante: para segurar o Maß como um verdadeiro bávaro, deve-se passar toda a mão por dentro da alça, garantindo firmeza e estilo no brinde.
Diferentemente de Blumenau, em Munique as cervejas não são vendidas nas áreas externas da festa, apenas dentro das tendas. Recomendo levar dinheiro em espécie para consumir lá dentro, já que muitas vezes eles não aceitam cartão. E não se esqueça das gorjetas: fazem parte da tradição e são muito valorizadas pelos atendentes.
Após a contagem regressiva e a sangria do primeiro barril, a espera pela cerveja parecia eterna, mas quando finalmente chegou à mesa, veio com o sabor de um instante histórico. A música começou a pulsar e a energia se espalhou como um brinde coletivo. Então, a banda tocou os primeiros acordes de Ein Prosit — não apenas uma canção, mas o batimento cardíaco da Oktoberfest.
De repente, todos se levantaram sobre os bancos, ergueram seus canecos de litro e, em uníssono, entoaram esse hino cervejeiro. Era como se o teto azul da Hacker-Festzelt se abrisse ainda mais, revelando o céu da Baviera em cada voz, em cada gole, em cada sorriso. Nesse momento, não havia fronteiras: apenas a celebração universal da amizade e da alegria. Se existe um momento capaz de expressar plenamente o significado da palavra alemã Gemütlichkeit — esse sentimento de aconchego, alegria compartilhada e bem-estar coletivo — seria justamente aquele.
Conseguimos tirar fotos com a nossa realeza, almoçamos e brindamos com mais alguns canecos. A energia da festa é simplesmente indescritível: todos dançam, cantam as músicas e brindam a cada minuto. A adrenalina vai às alturas.
Depois de algumas horas, nos despedimos da nossa mesa e fomos enfim explorar o que havia do lado de fora. Encontramos inúmeras tendas com todos os tipos de wurst, joelho de porco, bolachas decoradas e outras comidinhas típicas, além de artesanato e um parque de diversões. O espaço é imenso e não conseguimos entrar em todas as tendas para conhecer neste dia.

















Já passava das 17h quando deixamos a festa — e ainda me surpreendo por ter conseguido permanecer tanto tempo imersa naquela energia. Foi um dia de pura emoção, tão intenso que mal consigo relembrar como consegui adormecer naquela noite.
Nos dias seguintes, ainda em Munique, voltamos à Oktoberfest em diferentes horários. Cada visita trazia novas experiências, mas sempre com a mesma energia contagiante. Na segunda-feira à noite, a multidão estava tão animada quanto no sábado, transformando a festa em uma celebração sem fim. Uma verdadeira loucura — e uma lembrança inesquecível.
De forma despretensiosa, também conseguimos assistir a parte do desfile que acontece no domingo, logo após a abertura oficial da Oktoberfest. Trata-se de um dos momentos mais tradicionais da festa: o Trachten- und Schützenzug, o desfile dos trajes típicos e dos atiradores.
O cortejo reúne milhares de participantes vestidos com roupas folclóricas da Baviera e de outras regiões da Alemanha, além de grupos internacionais convidados. Pelas ruas do centro de Munique, seguem bandas, carros alegóricos, cavaleiros e representantes das cervejarias até o Theresienwiese. É uma celebração vibrante da cultura bávara, marcada por música, danças e cores intensas.
Considerado um dos maiores eventos folclóricos do mundo, esse desfile é uma oportunidade única de mergulhar na tradição antes de se deixar levar pelo clima festivo das tendas de cerveja.
Até breve. Gi

top spot
Consegui entrar em quase todas as tendas, mas aproveitei de verdade apenas duas: a Hacker-Festzelt, da cervejaria Hacker-Pschorr-Bräu, no primeiro dia; e a Schützen-Festzelt, da Löwenbräu, na segunda-feira à noite. Não deixem de provar a cerveja Radler — lá eu experimentei a da Löwenbräu, mas sei que a da Paulaner também é excelente.

feelings
Ao contrário de Blumenau, em Munique a maior parte das pessoas — acredito que cerca de 80% — veste o traje típico, desde crianças até idosos, que aliás são os mais elegantes. O Lederhosen para os homens e o Dirndl para as mulheres não são apenas roupas de festa, mas símbolos de identidade bávara, usados com orgulho e transmitidos de geração em geração. Outra coisa que reparei foi que muitas pessoas lá usavam grampos decorativos nas roupas — um detalhe que não vemos por aqui. A Oktoberfest de Blumenau é uma celebração maravilhosa, cheia de alegria e tradição. Mas estar em Munique, no coração da Baviera, é viver a essência da festa: cada brinde, cada música e cada traje típico carregam séculos de história e orgulho. Participar da edição original não é apenas uma festa — é mergulhar em uma experiência que transcende palavras e vai permanecer para sempre na minha memória.

info
Em setembro de 2025 vivi essa experiência inesquecível. Os trajes típicos — Dirndl e Lederhosen — revelam sua beleza não apenas na tradição, mas também nos detalhes que os tornam únicos. Há vestidos completos, combinações de blusa e saia, ou apenas o vestido, com preços que começam em 49,90 euros. As blusas delicadas variaram entre 20 e 30 euros, enquanto o Lederhosen, com seus bordados e cores que contam histórias, custavam em torno de 140 euros. Mais que roupas, são símbolos de identidade e memória: peças feitas para durar uma vida inteira e guardar consigo o espírito da Baviera.
Listinha das lojas com endereços:
– Lederhosen & Dirndl Outlet München – Bayerstraße 7A, 80335 München, Alemanha
– STEINDL TRACHTEN Pop-Up-Store – Neuhauser Str. 39, 80331 München, Alemanha
– Daller Tracht – Schleißheimer Str. 6 – 10, 80333 München, Alemanha
– ReSales München-Karlsplatz – Sonnenstraße 2, 80331 München, Alemanha
– Holareidulijö – Schellingstraße 81, 80799 München, Alemanha
– Bavarian Outfitters – Lederhosen & Dirndlverleih Schwanthalerstraße 83, 80336 München, Alemanha
– Trachten Angermaier Rosental 10, 80331 München, Alemanha
– Almenrausch Tal 1, 80331 München, Alemanha
– Almwelt GmbH Tal 39, 80331 München, Alemanha
Na Oktoberfest de Munique existem dois tipos de mesas: as livres e as reservadas. As mesas livres são as mais disputadas, por isso há uma verdadeira corrida assim que os portões se abrem — foi nelas que conseguimos lugar. Já as mesas reservadas precisam ser garantidas com antecedência, diretamente nos sites das grandes tendas (como Hofbräu, Löwenbräu, Hacker-Pschorr, Paulaner, entre outras) ou por meio de agências de viagem. As reservas esgotam rapidamente, especialmente nas tendas mais famosas. Não há cobrança pela mesa em si, mas é exigido um consumo mínimo, geralmente em forma de vouchers de cerveja e comida. Para quem vai em grupo, a reserva é altamente recomendável.
