Praga, República Tcheca: Descubra os Segredos da Cidade Mais Encantadora da Europa.

Praga é uma das cidades mais encantadoras da Europa. Conheça seus pontos turísticos, cultura, história e dicas para aproveitar ao máximo.

Principais Atrações Turísticas: Do Castelo ao Relógio Astronômico. História e Arquitetura de Praga: Uma Viagem no Tempo.

Esse destino estava na minha wanderlust há muito tempo. Tenho o hábito de, aos finais de semana, assistir no YouTube canais que transmitem ao vivo cidades pelo mundo. Sempre que aparecia a Ponte Carlos em Praga, eu ficava sonhando com o dia em que poderia vê-la pessoalmente.

Saímos da estação central de Varsóvia (Warszawa Centralna) e desembarcamos na estação central de Praga (Praha hlavní nádraží ) após um trajeto de aproximadamente 8 horas. A cada quilômetro percorrido, o sorriso no rosto só aumentava: era a sensação de estar prestes a realizar mais um sonho de viagem.

Dica importante: não deixe de reservar os assentos com antecedência. Isso garante mais conforto e tranquilidade durante o percurso.

Depois de encontrar a hospedagem e deixar as malas, fiz o que sempre costumo fazer ao chegar em um destino novo: visitar o supermercado para comprar alguns suprimentos e observar o que os moradores locais costumam levar para casa. É uma forma divertida de mergulhar na rotina da cidade.

O jantar foi acompanhado por um delicioso vinho tcheco e comidinhas preparadas por mim, criando aquela sensação de estar em casa mesmo longe dela. Essa é justamente uma das razões pelas quais optamos por não nos hospedar em hotéis: ter liberdade para cozinhar e viver a experiência como se fôssemos locais.

O primeiro dia passeando por Praga teve alguns “obstáculos” antes de chegarmos à primeira atração do roteiro. Bastava dar alguns passos para me sentir completamente arrebatada. Cada detalhe me fascinava: as ruas cheias de história, os bondes que cruzavam a cidade e a arquitetura majestosa que parecia contar segredos antigos. Era como se a própria felicidade estivesse suspensa no ar, acompanhando cada movimento do meu olhar. Bem pertinho dali, paramos na Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa (Kostel Panny Marie Vítězné), mundialmente famosa por abrigar a venerada estátua de cera do Menino Jesus de Praga. Tivemos a sorte de chegar justamente na hora da missa — uma verdadeira bênção — e aproveitamos para agradecer.

Logo do outro lado da rua, outro “obstáculo”, uma pequena portinha chamava atenção: vendia o famoso trdelník(chimney cake). Só para registrar: apesar de estar presente em praticamente todas as ruas turísticas de Praga, esse doce não é tipicamente tcheco. Sua versão original é o kürtőskalács, da Hungria e da região da Transilvânia (Romênia), um doce tradicional assado na brasa e polvilhado com açúcar e nozes. Um exemplo delicioso de como tradições culinárias se misturam na Europa Central.

Depois de ultrapassar os “obstáculos”, chegamos à imponente St. Nicholas Church (Kostel svatého Mikuláše), localizada na praça Malostranské náměstí. Considerada uma das maiores joias do barroco europeu, a igreja foi construída entre 1704 e 1755 pela renomada família de arquitetos Dientzenhofer. Sua grandiosa cúpula verde, com cerca de 20 metros de diâmetro, domina o horizonte e pode ser vista de diversos pontos da cidade, tornando-se um dos marcos visuais mais reconhecíveis de Praga.

O interior da igreja é igualmente deslumbrante: afrescos que retratam a vida de São Nicolau, esculturas ornamentadas e um órgão histórico de 1746, que já foi tocado por Mozart. Em 1787, o compositor esteve em Praga para a estreia de sua ópera Don Giovanni, no Teatro Estatal, e durante sua estadia teve a oportunidade de tocar nesse órgão magnífico.

O instrumento ainda existe e continua sendo utilizado em concertos, tornando a visita uma experiência única para os amantes da música. Hoje, além das celebrações religiosas, a St. Nicholas Church é também palco de apresentações de música clássica, atraindo visitantes que desejam unir espiritualidade, história e arte em um só lugar.

Nosso caminho seguiu pela charmosa Rua Nerudova, uma das mais encantadoras de Praga. Ela conecta a Ponte Carlos ao Castelo de Praga e, durante séculos, fez parte do antigo Caminho Real, por onde passavam as procissões nas coroações dos reis da Boêmia.

O que torna essa rua ainda mais especial são suas casas históricas: em vez de números, exibem símbolos e brasões nas fachadas — como o Leão Vermelho ou a Ferradura Dourada — que serviam para identificar os moradores antes da numeração oficial. Caminhar por Nerudova é como viajar no tempo, mergulhando em uma atmosfera que mistura história, arte e literatura.

Além disso, a rua leva o nome do escritor tcheco Jan Neruda, que viveu ali no século XIX e retratou em seus contos a vida cotidiana de Malá Strana. Sua obra inspirou até o poeta chileno Pablo Neruda, que adotou o sobrenome em homenagem ao autor.

Pelo caminho, nos deparamos com uma placa irresistível de “take beer away” — não é uma ideia genial? Por que não temos isso no Brasil? Logo depois, chegou a hora de provar a famosa pivo, a cerveja tcheca, direto da fonte. Paramos para almoçar no Mlýnář Restaurace Nerudova, e foi ali que o marido abriu um sorriso de pura felicidade ao saborear a primeira dark lager da viagem!

Para adoçar um pouco o passeio, seguimos pela charmosa rua Nerudova, onde o aroma de chocolate nos convidou a uma paradinha na Prague Chocolate Factory StorePražská Čokoláda Steiner & Kovarik. Entre fachadas históricas e o sobe e desce da rua, fizemos uma breve pausa para contemplar a vista, que parecia emoldurar a cidade como uma pintura. Continuamos a subida e, quase sem perceber, nos vimos diante de um dos portões do Castelo de Praga: o imponente Portão de Matias (Matyášova brána), guardião silencioso de séculos de história.

Atravessando o segundo pátio do Castelo de Praga, fomos conduzidos até a majestosa Catedral de São Vito (Katedrála sv. Víta). Sua imponência nos envolve já à distância, como se as torres góticas quisessem tocar o céu. Dentro de seus muros repousam os corpos de São Vito, São Venceslau e São Adalberto, guardiões espirituais da história tcheca, além dos tesouros de estado que testemunham séculos de poder e fé.

O que mais fascina é a riqueza dos detalhes: vitrais que filtram a luz em cores vivas, esculturas que parecem sussurrar histórias medievais, e elementos modernistas que convivem em harmonia com o gótico. Não é de se estranhar — afinal, foram mais de seis séculos de construção, iniciada em 1344 e concluída apenas em 1929. Cada época deixou sua marca, transformando a Catedral em um mosaico de estilos e tempos.

Abro aqui uma pausa no relato para compartilhar um episódio curioso: um holandês, totalmente ao acaso, parou meu marido e pediu para tirar uma foto com ele apenas porque estava vestindo uma camiseta do Ajax, o tradicional time da Holanda. A cena foi inesperada e divertida, dessas pequenas surpresas que tornam a viagem ainda mais memorável.

Confesso que achei bastante complexa a disposição dos prédios que compõem o Castelo de Praga (Pražský hrad, em Hradčany). Trata-se de um vasto conjunto arquitetônico que reúne construções em estilos romano, gótico e até do século XX. O Castelo de Praga é muito mais do que um simples castelo: é praticamente uma cidade dentro da própria capital! Com seus 70 mil metros quadrados de área construída, é considerado o maior castelo do mundo.

O local abriga inúmeras atrações e monumentos, além de carregar uma história riquíssima. Foi sede do poder de reis da Boêmia, imperadores do Sacro Império Romano e, mais recentemente, presidentes da Tchecoslováquia e da República Tcheca. Passear por suas dependências é mergulhar na história e na cultura do povo tcheco, descobrindo a cada passo novos detalhes e encantos desse patrimônio único.

Passamos pelo Old Royal Palace (Starý královský palác), um palácio gótico no Castelo de Praga que incorpora elementos renascentistas e abriga o imponente Vladislav Hall, utilizado para eventos reais. Visitamos também a Basílica de São Jorge (Bazilika svatého Jiří), fundada em 920 e reconstruída em 1142. Essa joia românica impressiona com seus afrescos requintados, capelas ornamentadas e um ambiente sereno. Seguimos para as torres: a White Tower (Bílá věž) e a Black Tower (Černá věž), cada uma com sua imponência e história.

Descemos a escadaria e chegamos ao belo Jardim Wallenstein (Valdštejnská zahrada), onde se encontra o castelo de mesmo nome. Mais adiante, nos deparamos com o famoso Muro de Lennon (Lennonova zeď), repleto de grafites coloridos, imagens e mensagens de paz e amor, que chamam a atenção de todos que passam pela rua próxima à Ilha Kampa.

Entre as atrações, vimos também as intrigantes esculturas Crawling Babies (Miminka), que despertam curiosidade e reflexão pela sua originalidade. Reconheço que não sou fã desse estilo de arte, mas ainda assim foi interessante observar.

Seguimos caminhando em direção à nossa hospedagem para encerrar o primeiro dia em Praga e atravessamos o Parque Kampa (Park Kampa). Ainda bem que escolhemos esse caminho: fomos surpreendidos por uma feira vibrante, onde o aroma de comidas típicas se misturava ao som alegre de músicos tchecos e ao ritmo contagiante dos dançarinos. As luzes suaves do entardecer refletiam nas árvores e nas construções ao redor, criando um cenário mágico. Ficamos ali, imersos na energia do lugar, aproveitando cada instante até o anoitecer. Foi uma das experiências mais emocionantes e encantadoras que vivemos em Praga.

Começamos o segundo dia indo até o Palladium Shopping, onde almoçamos. Logo em frente, encontramos um belíssimo prédio em estilo art nouveau, a Casa Municipal (Obecní dům). Tenho grande apreço por observar as fachadas e detalhes arquitetônicos, que revelam tanto da história e da identidade de uma cidade.  

Seguimos a caminhada em direção à famosa Praça da Cidade Velha (Staroměstské náměstí), mesmo sob forte chuva. Essa é a praça mais antiga do centro histórico, criada no século X, e abriga diversos edifícios góticos. É um ponto de encontro muito conhecido, rodeado de restaurantes, bares e barraquinhas que vendem comida típica, cerveja local e lembrancinhas. 

Após aguardarmos um pouco, subimos à torre da prefeitura, onde está o célebre Relógio Astronômico (Pražský orloj). Construído em 1410, é um dos mais antigos do tipo na Europa. De hora em hora, proporciona um pequeno espetáculo, exibindo os doze apóstolos. Além de marcar a data e as horas, o relógio registra a posição do sol, ciclos astronômicos, fases da lua e feriados do calendário cristão. A vista do alto da torre é deslumbrante. 

Pertinho dali, fizemos uma rápida parada no Hard Rock Café para aumentar nossa coleção. Já quase na hora do café, decidimos experimentar o doce mais famoso da cidade, o trdelník (chimney cake). Retornamos à praça para assistir novamente ao espetáculo do relógio. 

A última parada desse dia foi no Restaurace a pivovar U Fleků, uma cervejaria histórica fundada em 1499, símbolo da produção ininterrupta de cerveja que resistiu a guerras, ao nazismo e ao comunismo. Não é à toa que, logo na entrada, na fachada ao lado da porta, se lê em destaque a frase “Dej Bůh štěstí”, que significa algo como “Deus nos ajude”. A especialidade da casa é produzir apenas um tipo de cerveja: a dark lager (Flekovský ležák 13°), não filtrada e não pasteurizada, considerada uma cerveja viva. Rica em vitamina B, pode ser armazenada por no máximo três semanas, o que a torna única e exclusiva. Aliás, acabou se tornando uma das cervejas favoritas do meu marido.

O serviço também é diferenciado: os garçons circulam com enormes bandejas repletas de canecos cheios de uma cerveja única. O aroma tostado da bebida se mistura ao burburinho alegre das mesas, enquanto o som dos brindes ecoa pelo salão como uma celebração coletiva. Você escolhe entre a versão clara ou escura, cada gole trazendo consigo séculos de tradição. Da mesma forma, oferecem aperitivos tradicionais, como Becherovka ou Medovina, que aquecem o corpo e despertam os sentidos. Provamos, é claro! E, como manda a tradição, levantamos os copos e brindamos com entusiasmo: “Na zdraví! ”. Saímos de lá muito felizes, levando conosco um growler de 1 litro da cerveja dark lager — um sabor que ficará marcado na memória da viagem. 

À noite, Praga se veste de luz. As fachadas douradas refletem nos rios e nas ruas, e a cidade parece revelar um encanto secreto, talvez ainda mais belo do que sob o sol do dia. É como se cada lâmpada acesa fosse uma estrela caída, transformando o cenário urbano em um espetáculo de magia silenciosa.

No terceiro dia na República Tcheca, embarcamos em um ônibus (foi a melhor opção) rumo a Plzeň, a lendária cidade que deu nome à cerveja Pilsner. Se quiser conferir mais detalhes sobre esse passeio, clique aqui.

O sol nasceu trazendo felicidade para quem estava prestes a conhecer a atração que mais havia visto pela internet, como mencionei no início do meu relato. Ela mesma: a Ponte Carlos (Karlův most), a magnífica ligação entre a Cidade Velha e a Malá Strana.

Com mais de 500 metros de extensão e passagem exclusiva para pedestres, é considerada a segunda ponte mais antiga da capital tcheca. Sua construção começou em 1357, sob ordem do rei Carlos IV, e só foi concluída no século XV. Ao longo de toda a ponte, erguem-se 30 réplicas de estátuas góticas e santos católicos, que conferem ao lugar uma aura solene e quase mística.

Diz a lenda que quem repousar a mão esquerda sobre a estátua de São João Nepomuceno e, em seguida, fizer um pedido, verá seu desejo realizado em pouco tempo.

Nem eu acreditava que estava ali, acenando para a câmera que transmite ao vivo no YouTube a imponente ponte. E, pessoalmente, ela é ainda mais deslumbrante. Cada estátua, cada pausa para contemplar a vista do rio, o Castelo de Praga ao fundo, e cada embarcação que deslizava sobre as águas compunham o retrato perfeito de um quadro vivo e inesquecível.

Minha travessia começou na torre da ponte de Malá Strana, cruzando o rio Moldava (Vltava) em direção à Cidade Velha (Staré Město) de Praga. Ao chegar, encontrei o Monumento a Carlos IV na praça Křižovnické e a elegante Igreja de São Francisco de Assis. Logo à frente, ergue-se o complexo monumental do Klementinum.

Esse conjunto histórico impressiona pela grandiosidade e riqueza arquitetônica. Entre seus destaques estão a célebre Capela dos Espelhos, famosa por sua acústica perfeita e concertos de música clássica; a deslumbrante Biblioteca Barroca, considerada uma das mais belas do mundo, com estantes de madeira ornamentada e afrescos no teto; e a Torre Astronômica, coroada pela escultura de Atlas, que durante séculos serviu para observações astronômicas e meteorológicas. O complexo também abriga a imponente Igreja de São Salvador, que completa o cenário com sua arquitetura barroca.

Entre os tesouros do Klementinum, destaca-se a célebre Biblioteca Barroca, considerada por muitos como uma das mais belas do mundo. Inaugurada no século XVIII, ela impressiona pela atmosfera quase sagrada: estantes de madeira ornamentada que se erguem até o teto, globos terrestres e celestes que remetem ao espírito científico da época, e afrescos barrocos que parecem narrar a própria história do conhecimento humano. Infelizmente, não consegui visitá-la, pois os ingressos se esgotam rapidamente e é necessário reservar com bastante antecedência.

Apesar de toda a minha felicidade com a visita à Ponte Carlos, parecia que aquele dia não estava muito a meu favor. Além de não conseguir visitar a Biblioteca Barroca, ao chegar à Praça da Cidade Velha (Staroměstské náměstí), diante do prédio da Prefeitura, outra atração também não pude conhecer, pois não estava em funcionamento: o curioso Paternoster.

O Paternoster é um tipo de elevador caracterizado por não ter portas e nunca parar de se mover. Ele funciona como uma corrente contínua de pequenas cabines que sobem e descem sem interrupção, permitindo que os passageiros entrem e saiam em qualquer andar. Hoje é considerado uma relíquia histórica e arquitetônica de Praga, atraindo turistas curiosos.

Para completar a saga das atrações desse dia, havia uma fila enorme em frente à Biblioteca Nacional da República Tcheca (Národní knihovna České republiky), onde muitos visitantes aguardavam para fazer a famosa foto do Monumento ao Livro, ou Idiom, localizado no hall de entrada da Biblioteca Municipal de Praga. Criada pelo artista eslovaco Matej Krén em 1998, a obra é uma torre impressionante composta por cerca de 20 mil volumes de livros. Graças a um sistema de espelhos, o monumento transmite a sensação de que a pilha de livros é infinita, simbolizando o poder ilimitado da leitura. Não quis enfrentar a fila e registrei o monumento pela lateral mesmo.

A icônica escultura de Franz KafkaRotating Head, de David Černý, foi a primeira atração após nosso almoço em uma hamburgueria local. A Cabeça de Kafka é formada por 42 placas giratórias de metal que se movimentam lentamente, distorcendo e transmutando o rosto até que, em moto perpétuo, ele retorne à forma original. Não é exatamente o meu estilo de arte, mas confesso que achei impressionante.

A próxima parada foi a atração mais fotografada de Praga: a Casa Dançante (Tančící dům). Esse moderno prédio de escritórios curvos, projetado pelo arquiteto Frank Gehry, foi inaugurado em 1996 no local de um edifício destruído em 1945. Conhecido como “Fred & Ginger”, em homenagem aos dançarinos Fred Astaire e Ginger Rogers, o edifício abriga um restaurante no último andar. Do terraço do café, no sétimo andar, é possível apreciar uma vista belíssima do centro da cidade. Para subir até lá não é necessário pagar ingresso, mas é preciso consumir algo — um café, chá ou até uma fatia de torta. Aproveitei para recarregar as energia com um cafezinho.

E, para coroar esse dia, fizemos um passeio de barco pelo rio Moldava (Vltava). Navegar por suas águas foi como ver Praga se revelar de outro ângulo: as torres góticas, as pontes históricas e os palácios iluminados pelo sol da tarde refletiam-se no rio, criando uma atmosfera mágica. O movimento suave da embarcação, o som da água contra o casco e a vista panorâmica da cidade tornaram esse momento inesquecível — uma verdadeira celebração da beleza de Praga.

O passeio durou cerca de uma hora. Os barcos utilizados são modernos, confortáveis e projetados para não poluir o meio ambiente, o que torna a experiência ainda mais agradável. Foi lindo ver Praga de outro ângulo, com suas pontes históricas, torres góticas e palácios refletindo nas águas tranquilas do rio Moldava. A cidade se desdobrava diante de mim em cada curva do rio, revelando seus encantos pouco a pouco. Ainda que a experiência fosse bela e envolvente, admito que não entrou para a lista dos meus passeios de barco preferidos.

O último dia em Praga foi um pouco diferente. Ficamos sabendo que haveria uma espécie de “Oktoberfest” na cidade e nos animamos em conhecer, já que nosso próximo destino seria justamente a festa alemã mais famosa do mundo. Para nossa tristeza, a divulgação era fraca e o local ficava distante. Quando finalmente chegamos, ainda estavam montando o festival. Por sorte, havia alguns food trucks permanentes e conseguimos almoçar por ali.

No fim do dia, já certos de que a festa aconteceria, retornamos ao local. Mais uma vez, porém, a decepção: poucas pessoas, pouca variedade de cervejas e comidas. Ficou a impressão de que os tchecos não são tão “oktoberfesteiros” quanto nós.

A noite, entretanto, terminou de forma agradável. Fomos ao restaurante Luka Lu, que ficava logo abaixo da nossa hospedagem e já chamava nossa atenção desde o primeiro dia. Um espaço vibrante e artístico, com decoração colorida que remete a um “porto seguro” — o próprio nome Luka significa “porto” em algumas línguas. A comida era saborosa, a cerveja excelente, e o ambiente tão cheio de detalhes que não sabíamos para onde olhar primeiro. O restaurante em si é uma verdadeira obra de arte, e valeu muito a pena conhecê-lo.

Praga se revelou como uma cidade de múltiplas faces: histórica e imponente, mas também acolhedora e vibrante. Cada ponte, cada torre e cada palácio refletido no Moldava parecia contar uma parte da sua longa história. Caminhar por suas ruas foi como percorrer páginas vivas de um livro antigo, onde o passado e o presente convivem em harmonia.

Na minha opinião, Praga é tão linda quanto Budapeste, tanto de dia quanto de noite. À luz do sol, suas fachadas coloridas e monumentos góticos impressionam pela riqueza de detalhes; ao cair da noite, a cidade se transforma em um espetáculo de luzes refletidas no rio, criando uma atmosfera mágica e inesquecível.

Assim, Praga não foi apenas uma visita, mas uma experiência que ficará marcada na memória — uma cidade que se revela lentamente e que, como Budapeste, conquista tanto pela sua beleza quanto pela sua alma.

Até breve. Gi

top spot

Não foi exatamente um lugar que mais amei em Praga, mas sim a experiência no Parque Kampa. Foi incrível assistir aos músicos tchecos tocarem ali, sem qualquer produção, sem energia elétrica, apenas acompanhados pelas pessoas que passavam e paravam para prestigiar o show.

feelings

A cada destino que escolhemos, percebo como nossa hospedagem molda a forma de viver a cidade. É como se o lugar onde ficamos fosse o ponto de partida para todas as descobertas, conectando-nos de maneira única ao ambiente ao redor. Em Praga, essa sensação foi tão intensa que quase convenceu meu marido a trocar a nacionalidade húngara pela tcheca! Brincadeirinha.

info

Fiz essa viagem em setembro de 2025. A República Tcheca é considerada o maior consumidor de cerveja per capita do mundo. Localmente chamada de pivo, a cerveja não é apenas uma bebida: faz parte da identidade nacional e da vida cotidiana. Entre os estilos mais tradicionais estão: Světlý ležák (lager clara), Tmavé (dark lager), a famosa Pilsner, originária da cidade de Plzeň, e a Polotmavé, um estilo intermediário de cor âmbar que combina características das lagers claras e escuras. Minha sugestão é experimentar as dark lagers, que oferecem um sabor marcante e uma experiência autêntica da tradição cervejeira tcheca.

 

 

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