Zagreb, cidade que mistura arquitetura austro-húngara, arte contemporânea e vida noturna animada. Descubra o que torna a capital croata tão especial.
Uma viagem inesquecível pelo coração croata.
Cheguei a Zagreb com aquela sensação de estar prestes a descobrir algo novo e especial — e foi exatamente o que aconteceu. Ao reservar a hospedagem, havia a opção de traslado do aeroporto e decidimos incluir esse serviço, já que nosso voo chegava durante a noite. Para nossa surpresa, o próprio host foi nos buscar no aeroporto, tornando a chegada ainda mais acolhedora e especial.
Após entendermos o funcionamento da hospedagem, decidimos conhecer o Pivnica Budweiser, um restaurante bastante recomendado pelos moradores locais. Era uma segunda-feira chuvosa, fazia um friozinho agradável e o lugar estava mais tranquilo do que o habitual. Fizemos nosso pedido e ficamos conversando à mesa, degustando diferentes cervejas, até que o garçom, curioso sobre nossa origem, se aproximou para conversar.
Ele acabou se sentando conosco e compartilhou várias dicas sobre a cidade e até sobre o país, o que tornou a experiência ainda mais especial. Foi justamente ali que descobri a cerveja que se tornaria a minha preferida — surpreendentemente não croata, mas francesa. Um verdadeiro choque!






Na manhã seguinte, ainda caía uma leve chuva quando fomos até o mercadinho próximo para comprar alguns itens e preparar nosso primeiro café antes de sair para explorar Zagreb. Munidos do guarda-chuva, seguimos em direção à nossa primeira parada: o Zet Uspinjača, o famoso funicular que liga a Cidade Baixa à Cidade Alta.
Esse funicular é considerado o meio de transporte público organizado mais antigo de Zagreb e guarda um charme especial. Com apenas 66 metros de extensão, é reconhecido como o mais curto do mundo. O mais interessante é que, por ter preservado sua aparência original, sua construção e a maioria das características técnicas, ele hoje está protegido como monumento cultural.



Por causa da chuva, precisei alterar meu roteiro e decidi visitar primeiro o Museum of Broken Relationships — o Museu das Relações Quebradas. Ele ganhou fama internacional pela proposta ousada e cheia de significados. A exposição reúne objetos pessoais de pessoas reais, acompanhados de relatos sobre o fim de relacionamentos. Cada peça carrega uma história única, algumas surpreendentes e muitas realmente engraçadas, que me fizeram rir sozinha pelos corredores. Foi curioso perceber como objetos simples, quando ligados a relacionamentos, podem ganhar significados inesperados.






Saindo do museu, a chuva finalmente deu uma trégua e seguimos para atravessar a Kamenita Vrata — o Portão de Pedra, um dos símbolos históricos mais valiosos de Zagreb. Erguido no século XIII e restaurado em 1770, é o único muro medieval preservado da cidade. No seu interior há uma pequena capela que abriga uma pintura da Virgem Maria.
Caminhando pelas belas ruas da cidade, chegamos ao famoso cartão-postal: a Igreja de São Marcos, uma construção medieval em estilo gótico bastante peculiar. Os azulejos coloridos do telhado representam o brasão de Zagreb e o brasão de armas da Croácia, composto por três partes que simbolizam as três províncias históricas — Croácia, Dalmácia e Eslovênia. A igreja é realmente encantadora e fica bem no centro de uma praça cercada pelo Parlamento, pelo Palácio do Governo e pelo Tribunal Constitucional. Infelizmente, estava fechada para reformas e não conseguimos visitar seu interior.






Paramos para almoçar em uma das graciosas ruelas do centro, a Skalinska ulica, e depois seguimos até a Praça Ban Josip Jelačić, considerada o coração de Zagreb. É o ponto de encontro dos moradores e visitantes, marcada pela imponente estátua equestre de Ban Josip Jelačić, herói nacional croata do século XIX. Durante o regime iugoslavo, a estátua foi considerada perigosa por representar a identidade nacional croata e acabou sendo retirada e escondida. Somente nos anos 1990, após a independência, ela retornou ao seu lugar original, tornando-se novamente símbolo da cidade.
De lá, seguimos para a Catedral de Zagreb. Oficialmente chamada de Catedral da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, é o edifício religioso mais importante da Croácia e um dos marcos mais reconhecíveis da capital. Construída originalmente no século XI, foi destruída diversas vezes por invasões e terremotos. O mais devastador ocorreu em 1880, levando à reconstrução em estilo neogótico. Infelizmente, estava em reforma e não conseguimos visitar seu interior.
Bem diante da catedral, na Praça Kaptol, está o Monumento da Virgem Maria com os Anjos: uma coluna dourada da Virgem Maria cercada por quatro anjos em mármore branco. O conjunto simboliza a proteção espiritual sobre a cidade e é um dos pontos mais fotografados pelos visitantes.
Durante o caminho, muitas lojinhas de souvenirs irresistíveis surgiam como verdadeiros obstáculos para mim — cada uma mais encantadora que a outra!
A Praça Ban Josip Jelačić é tão agradável que voltamos para tomar um cafezinho no Kraš Choco & Café. O espaço é aconchegante e combina café, brunch e sobremesas da tradicional marca croata Kraš, famosa por seus chocolates desde 1911. Sentar-se ali é como observar Zagreb pulsar: os trams passando, moradores se encontrando “sob a cauda do cavalo” (referência popular à estátua de Jelačić) e turistas circulando pela praça. É um lugar perfeito para descansar entre passeios, saborear um doce típico e sentir o ritmo da cidade.






Nossa próxima parada foi a Torre Lotrščak, um dos marcos mais icônicos da Cidade Alta de Zagreb. Ela é famosa pelo disparo diário do Canhão de Grič ao meio-dia e pela vista panorâmica de 360° sobre os telhados e monumentos da cidade. Construída no século XIII, guarda séculos de história e ainda hoje conecta tradição e turismo. O nome deriva do sino Campana Latrunculorum (“sino dos ladrões”), que tocava ao entardecer para avisar os cidadãos que os portões seriam fechados.
No século XIX, a torre ganhou um quarto andar e novos elementos arquitetônicos, tornando-se também um ponto de vigia contra incêndios. Desde 1877, todos os dias ao meio-dia, o disparo do canhão ecoa pela cidade. Originalmente, sua função era sincronizar os sinos das igrejas de Zagreb. Hoje, tornou-se uma tradição que surpreende turistas e diverte moradores, que até conferem o relógio logo após o estrondo. Infelizmente, não conseguimos confirmar o sincronismo do relógio com o disparo do canhão, mas a visita valeu muito a pena. A vista lá de cima é simplesmente deslumbrante: os telhados vermelhos se espalham pela Cidade Baixa, as torres da Catedral despontam no horizonte e Zagreb se revela em um panorama encantador, misturando história e modernidade em cada detalhe.
Terminamos nosso movimentado dia com um passeio pela Rua Ilica, a principal artéria comercial de Zagreb. Famosa por suas lojas, cafés, galerias e pelo movimento constante dos trams, é considerada a rua mais tipicamente “zagrebaquense” da cidade.









Na manhã seguinte, seguimos para explorar o Nacionalni park Plitvička jezera, um verdadeiro tesouro natural da Croácia. Se você quiser saber como foi esse dia incrível, cheio de lagos cristalinos e cachoeiras deslumbrantes, clique aqui.
Durante a viagem tivemos um imprevisto com a companhia aérea e fomos até o escritório para resolver e foi graças a isso que acabamos num restaurante muito legal. Pri Zvoncu. É uma tradicional konoba (taverna croata), conhecida pela culinária típica e ambiente acolhedor. O próprio nome significa algo como “Perto do Sino”, remetendo ao estilo rústico e familiar do lugar. Com ambiente rústico e acolhedor, é considerado um dos melhores lugares da cidade para provar a autêntica culinária local.









Depois dessa experiência gastronômica maravilhosa, decidimos mergulhar na ciência e na história croata visitando o Tehnički muzej Nikola Tesla. Logo na entrada, entre locomotivas antigas e máquinas industriais, nos deparamos com algo curioso: bancos de energia solar que, além de servirem como descanso, funcionavam como pontos de recarga para celulares por indução. Foi impossível não sorrir diante dessa mistura de passado e futuro — máquinas pesadas de ferro ao lado de bancos inteligentes que captam energia do sol.
Dentro do museu, a sensação de viajar no tempo se intensificou. Caminhamos por corredores repletos de equipamentos históricos, desde rádios antigos até locomotivas que marcaram a evolução do transporte. O ponto alto, porém, foi o gabinete de demonstração de Tesla: em uma sala escura, vimos faíscas saltarem no ar, recriando suas experiências com eletricidade de alta voltagem. O som dos estalos e a luz azulada criaram uma atmosfera quase mágica, como se estivéssemos diante do próprio inventor.
Encerramos a visita no planetário, onde o céu artificial nos levou a uma viagem pelo universo. Foi um contraste fascinante: da energia elétrica de Tesla às estrelas distantes, tudo reunido em um só lugar. Saímos com a sensação de que o museu é muito mais do que uma coleção de objetos — é um espaço vivo, que conecta tradição, ciência e imaginação.











Seguimos nosso passeio por alguns dos edifícios mais emblemáticos da cidade, começando pelo Hrvatsko narodno kazalište – Croatian National Theatre, inaugurado em 1895 com a presença do imperador Francisco José I. Sua fachada neobarroca impressiona e o interior abriga óperas, balés e peças teatrais, sendo considerado o coração artístico de Zagreb, onde tradição e modernidade se encontram.
Logo depois, passamos pelo Hrvatski državni arhiv – Croatian State Archives, um magnífico edifício art nouveau de 1913 que, além de preservar documentos históricos da Croácia, se destaca como uma verdadeira joia arquitetônica, com vitrais e esculturas que enriquecem seu valor cultural. O passeio seguiu até o esplêndido Hotel Esplanade, construído em 1925 para receber os passageiros do famoso trem Orient Express. Ícone de luxo e elegância, sua arquitetura sofisticada já recebeu celebridades e figuras históricas, e até quem não se hospeda pode apreciar o charme do lobby ou desfrutar de um café em seu restaurante refinado.
Por fim, visitamos o Umjetnički paviljon u Zagrebu – Art Pavilion in Zagreb, situado na Praça do Rei Tomislav. Inaugurado em 1898, é o mais antigo pavilhão de exposições da Croácia, com fachada em estilo secessionista e interior dedicado a mostras temporárias, tornando-se um ponto de encontro essencial para amantes da arte contemporânea e clássica.






Fomos até o Airbnb descansar um pouco, recarregar as energias e nos preparar para a aventura noturna desse dia tão agradável. À noite, o destino escolhido foi a Vinoteka Bornstein, considerada a mais antiga loja de vinhos de Zagreb, fundada em 1950.
Localizada em um espaço histórico próximo à Catedral, a Bornstein combina tradição e sofisticação. O ambiente é acolhedor, com prateleiras repletas de rótulos croatas e internacionais, além de uma atmosfera que mistura o charme de uma adega clássica com o dinamismo de um wine bar moderno. A experiência não se resume apenas à degustação: os sommeliers da casa compartilham histórias sobre os vinhos e suas origens, tornando cada taça uma verdadeira viagem cultural. É um lugar que reflete a paixão croata pela viticultura e que proporciona uma noite memorável para quem deseja conhecer mais sobre os sabores do país.






Mais um dia de passeio por Zagreb nos levou ao Mercado Central – Dolac, onde diariamente produtores locais oferecem frutas, legumes, flores, queijos e carnes sob os icônicos guarda-sóis vermelhos. Localizado acima da Praça Ban Jelačić, o mercado é um verdadeiro retrato do cotidiano da cidade, vibrante e cheio de cores.
Seguindo o roteiro, o Túnel Grič revelou-se um dos pontos mais curiosos da visita. Construído em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, como abrigo antiaéreo, hoje funciona como passagem subterrânea para pedestres e também como espaço cultural, recebendo exposições e eventos. Com cerca de 350 metros de comprimento e 3,2 metros de largura, é uma experiência singular caminhar por esse túnel histórico que conecta diferentes partes da cidade.






O passeio continuou pela Rua Tkalčićeva, considerada uma das mais bonitas de Zagreb. Repleta de pequenas boutiques, lojas tradicionais, restaurantes e cafés, é um lugar perfeito para sentir a atmosfera local. Os moradores a chamam carinhosamente de Tkalča, e o passado da rua guarda uma curiosidade: foi o primeiro distrito da luz vermelha da Europa.
Eu havia visto em um vídeo que em Zagreb existia a chamada “pior bebida do mundo” e, já que estava ali, não poderia deixar de provar. Encerramos o dia no Pod Starim Krovovima, considerado o bar mais antigo da cidade. Fundado em 1830, mantém até hoje uma atmosfera histórica e acolhedora.
O Pelinkovac, criado em 1862 pela empresa Badel, é um licor de ervas que se tornou parte da identidade cultural croata. Reconhecido pelo seu sabor intensamente amargo, ele é considerado por muitos uma experiência desafiadora. No entanto, essa reputação é mais uma curiosidade turística do que um consenso: para os croatas, trata-se de uma bebida tradicional, servida como digestivo e apreciada em momentos de convivência.
Apesar da fama, minha impressão foi diferente: já provei bebidas mais difíceis de engolir. Depois do primeiro gole, o choque inicial dá lugar a uma sensação curiosa, quase herbal, que ajuda a entender por que o Pelinkovac continua sendo preservado e celebrado como parte da tradição local. É uma daquelas experiências que, mesmo não agradando a todos, vale a pena viver para sentir o espírito autêntico de Zagreb.






Nosso último dia em Zagreb começou com a visita ao Stadium Maksimir, o principal estádio da cidade, inaugurado em 1912. É a casa do clube GNK Dinamo Zagreb e também palco da maioria dos jogos da seleção croata de futebol. Como o estádio estava fechado, conseguimos apenas explorar os arredores. A sensação foi de que o espaço já não recebe tanta atenção quanto merece, transmitindo certo ar de descuido e abandono.
De lá seguimos para o belíssimo Parque Maksimir, o maior e mais antigo parque público de Zagreb, inaugurado em 1794 e considerado o “pulmão verde” da cidade. Com mais de 316 hectares, o espaço reúne florestas centenárias, lagos artificiais, trilhas para caminhadas e o Zoológico de Zagreb, sendo um dos locais mais visitados e queridos tanto por moradores quanto por turistas. A atmosfera tranquila e a riqueza natural tornam o parque um verdadeiro refúgio dentro da capital croata. Apesar de estar um pouco mais afastado do centro, vale muito a pena conhecer.
Ali pertinho, fizemos uma pausa para o almoço no Submarine Burger, em um ambiente descontraído e agradável. O restante do dia foi dedicado a arrumar as malas e nos preparar para partir de trem rumo ao próximo destino.






Zagreb nos recebeu com ruas cheias de história, cafés acolhedores e uma atmosfera que mistura tradição e modernidade. Caminhar pela Cidade Alta foi como voltar no tempo: cada pedra do calçamento parecia guardar segredos de séculos passados. Já na Cidade Baixa, encontramos praças movimentadas, mercados vibrantes e pessoas sorridentes que tornaram a experiência ainda mais calorosa.
Zagreb não é apenas um ponto de passagem para outros destinos da Croácia; é uma cidade que merece ser vivida com calma, explorada sem pressa e sentida em cada detalhe — seja no aroma do café fresco, nas fachadas elegantes ou nas histórias que ecoam por suas ruas.
Até breve. Gi

top spot
Eu adorei conhecer a taverna Pri Zvoncu. O ambiente era rústico e acolhedor, o cardápio vinha no formato de um jornal e a comida, além de saborosa, era extremamente farta. Tivemos até uma situação engraçada: sobrou bastante comida e pedimos para levar. No Brasil, estamos acostumados a o garçom recolher os pratos e trazer a embalagem já pronta. Mas ali foi diferente — o garçom simplesmente trouxe a embalagem, colocou sobre a mesa sem dizer nada e saiu. Rimos muito com a cena inesperada. Tirando esse momento de surpresa, achei a ideia ótima e confesso que todos os restaurantes poderiam adotar esse estilo.

feelings
Eu me surpreendi com Zagreb: foi um lugar acolhedor, bonito e seguro. Também achei os preços mais acessíveis do que em muitos outros destinos da Europa. Fomos bem recebidos em todos os lugares, sempre por pessoas muito gentis. A cidade é perfeita para ser explorada a pé, permitindo apreciar de perto suas ruas encantadoras e as elegantes edificações que revelam a história e o charme local.

info
Fiz esta viagem em maio de 2023 e fiquei 6 noites em Zagreb. Em um desses dias aproveitamos para fazer um bate e volta até o Parque Nacional Plitvička Jezera, uma das joias naturais da Croácia.

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