Budapeste, Hungria: A Pérola do Danúbio

Conheça Budapeste, destino europeu que combina tradição e modernidade. Veja dicas de passeios, restaurantes e experiências para aproveitar ao máximo. O que fazer na capital da Hungria.

Uma viagem inesquecível pela capital húngara. Como aproveitar cada momento na cidade.

Szia Magyarország! Minha aventura começou em Zagreb, na Croácia, de onde embarquei em um trem rumo a Budapeste. A viagem foi tranquila e cheia de paisagens que mudavam a cada quilômetro, revelando vilarejos, campos e rios que pareciam preparar o coração para a chegada. Quando o trem voltou a cruzar os limites da capital húngara, senti novamente aquela magia única que só Budapeste consegue transmitir.

Normalmente, os trens internacionais chegam na Budapest-Keleti pályaudvar, a estação de Keleti. Apesar de muitos viajantes pensarem que ela é a estação central, na verdade “Keleti” significa “leste” em húngaro, indicando sua localização na cidade. É um ponto de chegada emblemático, com arquitetura imponente e uma atmosfera que já dá o tom da experiência em Budapeste.

Budapeste me recebeu com sua imponência às margens do Danúbio, revelando uma cidade vibrante e cheia de contrastes. É um destino fascinante, capaz de surpreender até os viajantes mais experientes, mas que curiosamente ainda não figura entre as primeiras escolhas de muitas pessoas. Quem se permite conhecer Budapeste descobre uma atmosfera única, onde tradição e modernidade convivem lado a lado, transformando cada visita em uma experiência memorável.

Chegamos ao nosso Airbnb em Pest e, depois de nos acomodarmos, seguimos direto para o Mensa HungarIQa. Meu marido é associado e precisava buscar algumas encomendas, então aproveitamos para conhecer o espaço. Fomos recebidos com muita simpatia e, por coincidência, estava acontecendo um dos testes justamente na hora em que chegamos, o que deixou o ambiente ainda mais interessante.

Na volta, decidimos passar no supermercado para garantir nosso café da manhã e algumas refeições. A opção mais próxima era o SPAR, que eu gosto bastante — sempre encontro produtos de qualidade e uma boa variedade. Uma experiência simples que me faz sentir ainda mais conectada com a rotina local, como se estivéssemos vivendo um pedacinho da vida cotidiana em Budapeste.

Nossa noite foi um pouco diferente do que estamos acostumados. Saímos caminhando até o Karaván Street Food, o primeiro food court de rua de Budapeste. O espaço é um pátio ao ar livre cheio de barracas e food trucks que oferecem desde pratos típicos húngaros até opções internacionais, sempre em um ambiente descontraído e animado. É um dos lugares de comida de rua mais conhecidos da cidade, perfeito para sentir a vida urbana da Budapeste.

Eu pedi um lángos (pão frito com creme azedo e queijo), uma comida típica húngara que eu adoro e estava delicioso. Já meu marido resolveu experimentar um hambúrguer de lángos, mas não gostou muito da combinação. Um detalhe curioso aconteceu na hora de pagar: o atendente percebeu que éramos estrangeiros e retirou a gorjeta da conta, algo que nos chamou bastante atenção.

Depois de provar a comida de rua, decidimos mergulhar em outro aspecto da cultura local e seguimos para o Szimpla Kert, o bar de ruínas mais famoso da cidade, que fica pertinho do Karaván Street Food. Fundado em 2002, ele é considerado o pioneiro desse estilo e se tornou um verdadeiro ícone da vida noturna de Budapeste. Um grupo de amigos e artistas ocupou um prédio semi-abandonado e o transformou em um espaço único, decorado com móveis usados, objetos reciclados e arte improvisada.

O estilo romkocsma (ruin pub) transmite uma sensação de espontaneidade e liberdade, bem diferente dos bares tradicionais. Além disso, bebidas e comidas costumam ser mais baratas, o que atrai muitos estudantes e jovens. O Szimpla Kert já apareceu em listas internacionais como um dos bares mais originais do mundo. Para os húngaros, esses espaços não são apenas bares: são símbolos de resiliência e reinvenção, mostrando como a cidade conseguiu transformar abandono e dor em cultura e convivência.

Depois da Segunda Guerra Mundial e do período comunista, muitos prédios do Bairro Judeu ficaram degradados. Frequentar os ruin bars, portanto, carrega também um certo orgulho cultural. Budapeste tem dessas coisas — consegue unir diversão, história e criatividade em um só lugar.

Era nossa segunda vez em Budapeste, e dessa vez queríamos explorar cantinhos que ainda não conhecíamos. Eu estava especialmente animada para visitar o Városliget (Parque da Cidade), um dos primeiros parques públicos do mundo e o maior espaço verde da capital. Logo atrás da imponente Hősök tere (Praça dos Heróis), o parque se abre como um verdadeiro refúgio, misturando história, cultura e lazer.

Caminhar por suas alamedas é como entrar em um cenário vivo: famílias passeando, jovens de bicicleta, turistas curiosos. Mas o que eu mais queria ver era o Vajdahunyad vára (Castelo Vajdahunyad). À primeira vista, parece saído de um conto de fadas, com torres, muralhas e estilos arquitetônicos que se misturam em harmonia.

Apesar da aparência medieval, o castelo não é autêntico: foi construído em 1896 para celebrar os mil anos da Hungria e inspirado no Hunyadi-vár / Corvin-kastély (Castelo de Hunyad / Corvin Castle), localizado em Hunedoara, na Transilvânia, hoje território da Romênia. Hoje, o Vajdahunyad vára abriga o Magyar Mezőgazdasági Múzeum (Museu da Agricultura da Hungria), mas sua beleza por si só já vale a visita.

Essa inspiração não é por acaso. O Hunyadi-vár foi residência da família Hunyadi, e Hunyadi János (João Hunyadi) é lembrado como um dos maiores líderes militares da Hungria, símbolo de coragem e resistência contra os otomanos. Seu filho, Mátyás király (Matias Corvino), tornou-se um dos reis mais importantes da história húngara, e sua presença ainda ecoa pela cidade.

Seguindo o roteiro, chegamos à Hősök tere (Praça dos Heróis). A praça é um verdadeiro panteão nacional a céu aberto, reunindo os personagens que moldaram a Hungria ao longo dos séculos. Também é palco de eventos cívicos e celebrações nacionais.

A cidade se abre diante de nós nesse espaço monumental. No centro, ergue-se a coluna do Millenniumi emlékmű (Monumento do Milênio), coroada pelo Arcanjo Gabriel, que segura a Szent Korona (Santa Coroa de Santo Estêvão) e a cruz apostólica — símbolos da cristianização da Hungria. Aos pés da coluna, os sete líderes magiares, liderados por Árpád, parecem prontos para iniciar a jornada que daria origem à Hungria. Suas figuras em bronze, montadas em cavalos poderosos, transmitem força e determinação.

De cada lado da praça, duas colunatas se estendem em semicírculo, como braços que abraçam a história. Ali estão os grandes reis e figuras que moldaram o destino do país: Szent István király (Estêvão I), o primeiro rei cristão; Szent László király (Ladislaus I), símbolo de justiça; IV. Béla király (Béla IV), que reconstruiu a Hungria após a invasão mongol; e também o sempre lembrado, que eu comentei acima, Mátyás király (Matias Corvino), o rei humanista que trouxe prosperidade e cultura.

É realmente uma praça linda e, se você conhece um pouco da trajetória húngara — de Árpád e os líderes magiares até Mátyás király — a visita ganha outra dimensão. A cena transmite a sensação de estar diante de um verdadeiro altar da identidade húngara. É um daqueles lugares em que beleza e história se encontram, e por isso estar lá é tão marcante.

Continuando o roteiro, seguimos para um marco da tradição gastronômica de Budapeste: o restaurante Gundel. Ele é um dos mais famosos não apenas da cidade, mas de toda a Hungria, e alcançou reconhecimento internacional já no início do século XX. Muitas receitas clássicas da culinária húngara foram refinadas ou popularizadas ali, tornando-se referência até hoje.

Fundado em 1910 por Károly Gundel, rapidamente se tornou um ícone da hospitalidade húngara. Para os húngaros, “ir ao Gundel” era sinônimo de elegância e boa gastronomia. O restaurante ainda preserva mais de 140 receitas originais criadas ou adaptadas por Gundel.

Para quem não pode visitar pessoalmente, vale conhecer o Gundel’s Hungarian Cookbook, que é mais do que um livro de receitas: é um marco cultural que levou a cozinha húngara para o mundo e se tornou referência tanto para chefs quanto para amantes da gastronomia.

E mesmo que você não queira almoçar ou jantar, o Gundel oferece diversas guloseimas para um café delicioso. Sem dúvida, vale a visita. Se aceita uma sugestão: prove a famosa Gundel palacsinta, uma panqueca recheada com nozes e coberta com calda de chocolate quente.

Depois de realizar minhas vontades, partimos para a parte que deixa meu marido com o maior sorriso: o futebol. Fomos até o Puskás Aréna, o estádio nacional da Hungria, moderno e imponente, inaugurado em 2019 e com capacidade para mais de 67 mil pessoas. O nome é uma homenagem ao lendário Ferenc Puskás, maior ídolo do futebol húngaro.

Infelizmente, não conseguimos visitar por dentro novamente, já que havia um jogo programado e os tours estavam suspensos. Assim como para nós, brasileiros, é ali que se revela a paixão dos húngaros pelo futebol. O sorriso do meu marido, que estava enorme, acabou ficando murcho.

Dali retornamos a um dos meus lugares favoritos em Budapeste, já conhecido de outra visita: o Nagyvásárcsarnok (Mercado Central de Budapeste). É o maior e mais antigo mercado coberto da cidade, inaugurado em 1897. Fica na Fővám tér, próximo à Szabadság híd (Ponte da Liberdade). Em estilo neogótico, tem fachada imponente e um telhado decorado com azulejos coloridos da fábrica Zsolnay. A Zsolnay é uma manufatura histórica da cidade de Pécs, fundada em 1853, mundialmente conhecida por sua cerâmica artística e pelo uso do eosin, um esmalte especial que confere brilho metálico e iridescente às peças.

No térreo do mercado você encontra frutas, legumes, carnes, queijos, especiarias e a famosa páprika húngara (não deixe de comprar!). No primeiro andar, há restaurantes e barraquinhas com pratos típicos, como lángos, goulash, doces tradicionais e uma infinidade de souvenirs, incluindo os belíssimos bordados húngaros. No subsolo, ficam os peixes, produtos importados e até um supermercado.

Se existe um lugar ideal para comprar souvenirs e produtos autênticos húngaros, é ali. Uma das coisas que mais gosto de trazer para casa — e também oferecer como lembrança — é a páprika. É saborosa, não pesa na mala e as embalagens húngaras são fofas demais.

Depois de sair do Nagyvásárcsarnok, seguimos para a margem do Danúbio e pegamos a linha de tram nº 2. Considerada uma das mais bonitas da Europa, ela percorre a orla do rio e oferece vistas incríveis da cidade. Do bonde, vimos o imponente Országház (Parlamento Húngaro), refletindo sua grandiosidade nas águas, e ao fundo o Budai Vár (Castelo de Buda), como se vigiasse a cidade. As pontes, como a Lánchíd (Ponte das Correntes) e a Szabadság híd (Ponte da Liberdade), completavam o cenário.

Foi como fazer um city tour sobre trilhos: simples, acessível e cheio de encanto. Entre moradores apressados e turistas encantados, o tram nº 2 nos ofereceu uma nova perspectiva de Budapeste.

Um lindo novo dia amanheceu em Budapeste e fomos a outro ponto da cidade que vale todo o esforço: a Gellért-hegy (Colina Gellért), que oferece uma das vistas mais espetaculares da capital. É famosa pela Szabadság Szobor (Estátua da Liberdade), erguida em 1947, que domina o horizonte da cidade. A colina é também um espaço verde muito procurado para caminhadas e contemplação.

No topo está a Citadella, construída em 1854 pelos Habsburgos como fortaleza militar para controlar a cidade. É um dos miradouros mais icônicos de Budapeste, mas, no momento da minha visita, estava passando por uma transformação histórica. Com as obras em andamento, parte do acesso estava restrito — o que significa que preciso voltar.

Existem várias trilhas e caminhos que sobem desde a margem do Danúbio, passando por áreas arborizadas e miradouros intermediários. É uma caminhada que exige um pouco de fôlego, mas compensa com vistas cada vez mais bonitas conforme se avança.

Subimos por um lado e descemos por outro para chegar à Sziklatemplom (Igreja da Rocha ou Igreja Rupestre). É uma capela católica única em Budapeste, escavada na Gellért-hegy (Colina Gellért). Fundada em 1926 pelos monges paulinos, foi inspirada na gruta de Lourdes e hoje funciona como igreja ativa e ponto turístico cheio de atmosfera.

Visitar a Sziklatemplom é diferente de entrar em uma igreja barroca ou gótica: o ambiente é sóbrio, silencioso e intimista, com luz suave e paredes de pedra. É um espaço vivo de oração, mas também um testemunho da história recente da Hungria.

Na hora do almoço, o KEG Sörművház ganhou nosso coração. Descemos até o porão amplo e moderno, com atmosfera descontraída, e logo nos impressionamos com as 32 torneiras ativas oferecendo cervejas húngaras e internacionais — dos estilos clássicos às criações mais ousadas.

O cardápio também surpreendeu: uma mistura deliciosa de clássicos de pub com pratos mais elaborados, perfeitos para acompanhar cada gole. Saber que o lugar foi fundado por amigos de longa data deixou a experiência ainda mais especial, como se estivéssemos entrando em um espaço pensado para compartilhar bons momentos.

O nome “KEG” vem dos barris metálicos usados para armazenar cerveja, e tudo ali respira autenticidade. Até os refrigerantes e sucos são orgânicos, feitos de frutas reais — a única exceção é o tradicional Unicum, que não poderia faltar em um bar húngaro.

Depois do almoço no KEG Sörművház, seguimos explorando o lado de Buda. Subimos até o Várnegyed (Bairro do Castelo), onde a Mátyás-templom (Igreja de Matias) se ergue com sua torre elegante e o telhado colorido que brilha ao sol.

Logo ao lado, o Halászbástya (Bastião dos Pescadores) nos recebeu com seus arcos brancos e miradouros que parecem saídos de um conto de fadas. Dali, a vista sobre o Danúbio e a parte de Peste é simplesmente inesquecível.

Bem próximo ao bastião, encontramos a Szent István-szobor (Estátua de Santo Estêvão), o primeiro rei da Hungria, representado montado a cavalo. A escultura dá ainda mais imponência ao cenário e reforça a ligação entre o bairro e a história nacional.

Na primeira vez que estivemos em Budapeste não entramos na Mátyás-templom (Igreja de Matias), conhecemos somente a Szent István-bazilika (Basílica de São Estêvão). Dessa vez, decidimos finalmente explorar o interior da igreja.

A Mátyás-templom não foi originalmente dedicada ao rei Matias, mas sim à Virgem Maria. O nome atual é uma homenagem posterior ao rei Mátyás Corvinus, que no século XV promoveu reformas e deixou sua marca na construção. Hoje, ela é uma das mais importantes igrejas da Hungria, palco de coroações reais e símbolo da história nacional.

Ao entrar, senti imediatamente o peso dos séculos que repousam sobre suas paredes. Saber que reis foram coroados ali — e que até milagres aconteceram dentro desse espaço — transformou a visita em algo muito além de turismo.

O interior me fez imaginar os momentos solenes de coroação, quando a Hungria celebrava seus soberanos sob aquele mesmo teto. Caminhar por ali foi como tocar a própria memória do país: uma mistura de fé, poder e resistência que atravessou guerras, ocupações e renascimentos.

Antes de sair, comprei um anel-terço como lembrança. Eu gosto de escolher esse estilo de souvenir, que carrega um significado espiritual e pessoal para mim. Pequeno e simbólico, ele me faz recordar que, além da grandiosidade histórica, há também uma dimensão íntima nessa visita.

E para fechar nosso dia com chave de ouro, realizamos um passeio que eu já desejava há muito tempo: navegar pelo Danúbio. Foi um momento de descanso para as pernas e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de contemplar Budapeste sob outro ângulo. Do barco, a cidade se revelava ainda mais majestosa, e conseguimos registrar lindas fotos do Országház (Parlamento Húngaro), imponente à beira do rio, um cenário que ficará guardado na memória como um dos pontos altos da viagem.

O dia começou de maneira diferente: nossas primeiras paradas não foram atrações turísticas, mas sim livrarias. Como estudamos o idioma húngaro, saímos em busca de um livro de estudos e também de um dicionário português-húngaro. A tarefa não foi simples, mas depois de algumas tentativas conseguimos encontrar os dois — cada um em lugares diferentes.

Passamos pela Gelarto Rosa, uma das sorveterias mais famosas de Budapeste, conhecida por transformar cada bola de sorvete em uma rosa perfeita. Além de delicioso, o gelato é uma verdadeira obra de arte, e saboreá-lo em frente à Szent István-bazilika (Basílica de São Estêvão) tornou o momento ainda mais especial.

Em seguida, seguimos até a Szent István-bazilika (Basílica de São Estêvão), onde parecia estar acontecendo um ensaio, pois havia muitos dançarinos de música tradicional húngara. As meninas, com seus lenços na cabeça e saias rodadas, davam um encanto especial ao ambiente.

Depois, passamos pela Budapest Óriáskereke (roda-gigante), já que essa é uma área central de Budapeste, e fomos almoçar no Hard Rock Café. Caminhamos também pela rua mais agitada da cidade, a Váci utca (Rua Váci), onde aproveitei para entrar em uma loja de souvenirs e fazer uma foto com o Busó, personagem folclórico da cultura húngara.

Fizemos ainda uma breve parada na Belvárosi Szent Anna Templom (Igreja de Santa Ana do Centro), onde aproveitei para agradecer novamente pela viagem. De lá, seguimos até a Nagy Zsinagóga (Grande Sinagoga), a segunda maior do mundo. A intenção era conhecer o interior, mas acabamos decidindo ficar apenas na parte externa.

Ainda tivemos uma paradinha na maravilhosa loja Ajka Crystal para deixarmos ali nossos ricos dinheiros em duas belíssimas taças. Temos uma história sentimental com essa marca. Ajka é a cidade de onde saiu a bisavó do meu marido, em mil novecentos e guaraná de rolha, para vir ao Brasil. É uma cidade muito pequena e, por muito tempo, a fábrica foi o que movimentava a economia local. Gostamos de imaginar que algum familiar do meu marido certamente trabalhou lá. Visitamos a cidade na nossa primeira vez na Hungria, em 2017.

Por sorte, ali pertinho encontramos a Augusztus Cukrászda, uma das confeitarias mais tradicionais de Budapeste, com mais de 150 anos de história. É conhecida por manter receitas artesanais e familiares que atravessaram gerações. Uma opção excelente para repor as energias.

Nossa noite foi mais uma experiência incrível: fomos assistir à ópera Idomeneo, re di Creta, de Mozart, na Magyar Állami Operaház (Ópera Estatal da Hungria), um dos edifícios mais belos de Budapeste. Sua arquitetura neo-renascentista, os afrescos no teto e a acústica impecável tornam a visita uma experiência única. Saber que grandes nomes como Gustav Mahler já regeram ali dá ainda mais peso ao espetáculo.

Considerada uma das casas de ópera mais belas da Europa — e eu concordo plenamente — sua construção ocorreu entre 1875 e 1884, financiada por Francisco José I, imperador da Áustria e rei da Boêmia, com a condição de que não fosse maior que a Ópera de Viena. De fato, não é maior, mas posso afirmar que a achei mais bonita. O exterior do edifício impressiona com esculturas de músicos e compositores famosos, reforçando sua aura artística.

Na fachada da Ópera Estatal da Hungria, esculturas de Liszt e Erkel nos lembram que o país deu ao mundo dois gigantes da música. Caminhar diante dessas figuras eternizadas em pedra reforça a sensação de que este edifício não é apenas um espaço para espetáculos, mas um verdadeiro templo dedicado à música e à cultura. Foi uma noite inesquecível, marcada pela grandiosidade da casa e pela força dramática da obra. A combinação entre história, música e emoção transformou o espetáculo em mais um dos momentos memoráveis da viagem.

Durante a viagem, fizemos um bate-volta de Budapeste até Bratislava. Foi uma experiência encantadora, cheia de surpresas e descobertas. Se você quiser acompanhar o meu roteiro por lá e explorar cada detalhe dessa cidade charmosa, clique aqui e venha comigo nessa jornada.

Nosso último dia por Budapeste, fomos ao Gozsdu Udvar. Trata-se de um conjunto de sete edifícios e seis pátios interligados, formando um corredor de cerca de 200 metros, famoso por sua arquitetura Art Nouveau e por ser hoje um dos principais pontos de vida noturna da cidade. Durante o dia, o espaço abriga cafés acolhedores e mercados artesanais.

É tanta informação reunida em um único lugar que é preciso caminhar lentamente para absorver cada detalhe. Aproveitamos para almoçar e aconteceu uma situação curiosa. Como eu estava dando meus primeiros passos no idioma húngaro, quis fazer meu pedido nessa língua. Para explicar ao garçom, usamos o inglês, mas o resultado foi inesperado: ele não entendeu! Assim que pedi em húngaro, ele começou a falar sem parar e a gesticular, e eu fiquei totalmente sem graça. No fim, percebi que ele havia entendido que eu queria um prato típico húngaro, e não que eu queria falar em húngaro. Apesar da confusão, foi ótimo perceber que consegui me comunicar na língua local, mesmo que o garçom tenha insistido que o prato escolhido não era realmente húngaro — algo que eu já sabia.

Ainda por ali fiquei encantada com uma senhora que vendia lenços coloridos. Não resisti e deixei alguns “ricos dinheirinhos” com ela.

Saindo dali, seguimos até dois lugares que muitos procurados em Budapeste: o Twentysix Budapest, um restaurante mediterrâneo em meio a um verdadeiro “oásis urbano” jardim tropical no coração da cidade, e o New York Café, considerado o café mais bonito do mundo, com sua decoração luxuosa em estilo Belle Époque. Dois ambientes completamente diferentes, mas igualmente marcantes, que mostram como Budapeste sabe unir modernidade e tradição em experiências únicas.

O Twentysix Budapest é literalmente um jardim coberto, cheio de plantas tropicais, criando a sensação de estar em uma estufa verde. Moderno, acolhedor e muito instagramável, tornou-se queridinho dos influenciadores — um lugar super agradável e contemporâneo.

Já o New York Café, inaugurado em 1894 dentro do New York Palace, foi ponto de encontro de escritores e artistas húngaros. Com sua decoração luxuosa — colunas de mármore, afrescos no teto, lustres de cristal e detalhes dourados — entrar ali é como voltar no tempo e sentir o glamour da virada do século XIX para o XX. Além dos cafés e doces tradicionais húngaros, como o famoso bolo Dobos e o Somlói Galuska, também serve pratos típicos como goulash e frango à páprica. Uma curiosidade: na inauguração, intelectuais jogaram a chave do café no Danúbio para simbolizar que ele nunca deveria fechar.

Um aviso importante: o New York Café aceita reservas apenas em horários específicos, principalmente para jantares após as 18h. Durante o dia, o atendimento é por ordem de chegada e as filas costumam ser longas. No dia em que estive lá, havia até a opção de “furar a fila” pagando 5 euros — não sei se ainda existe. Eu acabei passando pelo lado da fila, já que não queria uma mesa, apenas admirar a beleza do local, mas confesso que não foi a atitude mais correta.

De qualquer forma, o lugar é realmente impressionante. Vale a pena esperar para entrar, nem que seja apenas para fazer fotos e sentir a atmosfera única desse café histórico.

Encerrar uma viagem por Budapeste é sempre um desafio, porque a cidade nunca se esgota. Cada visita revela novas camadas de história, cultura e beleza, e mesmo depois de tantos dias explorando, sinto que Budapeste ainda guarda segredos para mim. A cada visita, a cidade se revela de forma diferente, sempre me surpreendendo com sua beleza, sua história e sua energia vibrante.

Desta vez, conheci lugares que estavam na minha lista há tempos, mas já saí com uma nova lista de coisas que quero fazer quando voltar. Ainda há muito a descobrir: ruas que não caminhei, cafés que não provei, museus que não visitei. Budapeste é assim, uma cidade que nos chama de volta, sempre com a promessa de mais descobertas e encantos.

Budapest egy gyönyörű város, imádom! Éljen Magyarország!

Até breve. Gi

top spot

O Magyar Állami Operaház não foi apenas um edifício belíssimo, mas também o cenário de uma noite que me marcou profundamente. A imponência da arquitetura se somou à força da apresentação, criando uma experiência que me impressionou e que guardo com carinho na memória.

feelings

Sou talvez suspeita para falar de Budapeste e da Hungria, já que estudo o idioma e, com ele, mergulho na cultura e na história desse país fascinante. Mas não consigo evitar: cada vez que penso na cidade, sinto que ela me chama de volta. Se pudesse, voltaria todos os anos, porque sempre há um novo encanto à espera — um detalhe escondido, uma rua ainda não percorrida, uma emoção inédita. Budapeste é mais do que um destino: é um laço que se fortalece a cada viagem.

info

Estive em Budapeste em maio de 2023 e fiquei hospedada por 6 dias no lado de Pest, onde se concentram a maior parte das atrações. O idioma húngaro realmente é uma barreira, mas muitas pessoas falam inglês em Budapeste. É sempre muito educado aprender algumas expressões: jó napot kívánok (bom dia), köszönöm (obrigado), legyen szíves (por favor). Os húngaros sabem que o idioma é difícil, e qualquer palavra dita em sua língua já é recebida com simpatia.

 

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