Luxemburgo Ville: A Cidade das Fortalezas e Encantos. É um destino que parece saído de um conto de fadas.

Entre muralhas medievais e ruas modernas, descubra o coração cultural da Europa.

Luxemburgo Ville: Onde a História Encontra a Natureza. Explore uma cidade que une fortalezas medievais e paisagens deslumbrantes.

Luxemburgo Ville, a charmosa capital do Grão-Ducado de Luxemburgo, é um destino que encanta pela combinação singular de tradição e modernidade. Ideal para quem procura uma experiência europeia fora dos roteiros mais comuns, a cidade surpreende em cada detalhe. Conhecida como a “Cidade das Fortalezas”, preserva muralhas medievais impressionantes, ruas pitorescas e uma atmosfera acolhedora que conquista qualquer viajante. Caminhar por suas vielas é mergulhar em séculos de história e, ao mesmo tempo, sentir a energia cosmopolita de uma capital contemporânea. Além disso, Luxemburgo Ville é um centro financeiro e cultural dinâmico, repleto de museus, parques bem cuidados e uma gastronomia que mistura influências francesas e alemãs. A abundância de áreas verdes e o clima tranquilo completam o cenário, tornando a cidade uma experiência única para todos os tipos de viajantes.

Antes de iniciar o roteiro, quero compartilhar minha experiência com o cadastro eletrônico europeu (EES), que entrou em vigor em abril de 2026. A primeira vantagem foi ter chegado por um aeroporto menor, em Luxemburgo, o que tornou o processo mais tranquilo. (Para quem vai fazer o cadastro, como foi o meu caso, recomendo escolher um aeroporto pequeno ou menos movimentado para entrar na União Europeia). A segunda é que meu marido é europeu, então pude acompanhar a fila destinada a cidadãos da União Europeia, em vez da fila para não europeus. Todo o procedimento levou menos de 15 minutos. Como eu estava na fila com meu marido, o oficial da imigração sequer fez perguntas para mim. Durante o processo, meu passaporte foi digitalizado, tiraram uma foto minha e coletaram minhas digitais. A única tristeza é que agora não recebo mais os tradicionais carimbos no passaporte.

Chegamos ao fim de uma segunda-feira, nos acomodamos e fomos jantar. É sempre bom ficar atento ao dia da chegada, já que muitos lugares não funcionam aos domingos e segundas. O restaurante era pequeno, mas tinha aquele charme típico dos locais autênticos: algumas mesas conversavam em alemão, outras em francês, e nós em português. Meu marido adora esse clima, e para agradá-lo sempre procuro lugares que ofereçam cerveja artesanal local, servida na pressão — on tap/draft. Entre goles de cerveja artesanal e risadas, percebemos que a viagem começava exatamente como deveria — com sabor, autenticidade e a promessa de muitas descobertas pela frente.

O primeiro dia em Luxemburgo amanheceu frio, exatamente como eu desejava. O ar gelado trazia consigo uma sensação de novidade, como se cada esquina guardasse uma descoberta. Apesar de o transporte público no país ser gratuito — inclusive para turistas — preferimos arrumar nossas mochilas e sair caminhando.

Logo à frente encontramos a Place de Metz, onde se ergue o imponente prédio da Spuerkeess (Banque et Caisse d’Épargne de l’État), um verdadeiro símbolo arquitetônico da cidade. Poucos passos depois, surge a famosa Ponte Adolfo, cartão-postal luxemburguês. Construída no início do século XX, em pedra, ela não conecta apenas margens: une também o coração da cidade. Seu arco monumental, inaugurado em 1903, atravessa o tempo com elegância e permanece como símbolo da grandiosidade e da identidade nacional.

Atravessamos a ponte e chegamos à Place de la Constitution, onde fica um mirante e o Monument of Remembrance, conhecido como Gëlle Fra (“Dama Dourada”). Este memorial homenageia os milhares de luxemburgueses que lutaram e morreram nas duas Guerras Mundiais, na Guerra da Coreia e até na Guerra Civil Espanhola. Hoje, é um dos principais símbolos de liberdade e resistência do país. Ali também estão as Casamatas da Pétrusse, um labirinto de 17 km de túneis que já abrigaram soldados, civis em tempos de guerra e até garrafas de champanhe. Patrimônio da UNESCO, revelam a engenhosidade e a força de Luxemburgo.

Do outro lado da rua, encontramos a Catedral de Notre-Dame de Luxemburgo, uma igreja do século XVII que mistura elementos góticos e barrocos, famosa por seus vitrais e esculturas. Infelizmente, estava fechada para restauração, mas ainda assim impressionava pela imponência.

Paramos para almoçar no Munchies Burger Luxembourg — vale muito a visita! O lanche estava delicioso e, revigorados, seguimos para a Place Guillaume II, que naquele momento estava tomada pela montagem de um festival prestes a começar nos dias seguintes.

Tudo em Luxemburgo é muito próximo, uma atração quase em frente à outra, o que às vezes me confundia um pouco. Mas essa proximidade tornava a exploração ainda mais divertida: ao nos perdermos pelas ruelas fora do roteiro, acabávamos descobrindo cantinhos inesperados da cidade.

Fizemos uma paradinha diante da fachada do Palácio Grão-Ducal, curiosos com a aglomeração que se formava ali. Esperei alguns minutos e, para minha surpresa, acredito ter filmado um membro da realeza luxemburguesa acenando para o público. Claro que acenei de volta, sorrindo como quem vive um momento único.

Logo em frente ao palácio, aproveitei para provar o chocolate da House Nathalie Bonn. Já estava parada ali mesmo, então foi impossível resistir.

Seguindo o roteiro, entramos na Igreja de São Miguel (Église Saint-Michel), o templo mais antigo da Cidade de Luxemburgo, originalmente erguido em 987. Seu interior é belíssimo, com vitrais e detalhes arquitetônicos que encantam. 

Depois seguimos pela Chemin de la Corniche, um passeio panorâmico conhecido como “a varanda mais bonita da Europa”. Dali, a vista para o Bairro Grund, com suas casas charmosas e atmosfera acolhedora, é simplesmente irresistível — dá vontade de morar lá. 

Logo abaixo do mirante está o Rocher du Bock, um promontório rochoso que serviu de base para as fortificações da cidade. Escavadas nesse rochedo estão as famosas Casemates du Bock, um complexo de galerias subterrâneas e ruínas medievais. Optamos por não entrar, já que havíamos visitado anteriormente as Casemates da Pétrusse. Embora sejam diferentes, preferimos aproveitar as paisagens abertas que Luxemburgo nos oferecia. 

Retornando pelo caminho, passamos pela praça Fëschmaart e pelo MNHA – Museu Nacional de História e Arte, que não visitamos. Em contrapartida, entramos no Museu de História da Cidade de Luxemburgo, onde havia uma atividade encantadora: em cada cômodo, carimbávamos um postal em branco com uma cor diferente. Ao final, o cartão se transformava em uma composição multicolorida, quase como uma pintura em aquarela. Eu adorei essa experiência criativa e lúdica. 

Depois do museu, seguimos até a Cité Judiciaire, um conjunto de edifícios que impressiona pela harmonia entre tradição e contemporaneidade. Em seguida, paramos para um café no Holy Ghost Garden, um espaço encantador que reúne cafeteria, floricultura e loja de produtos locais, instalado no antigo estúdio de tatuagem Holy Ghost.

Nossa próxima parada foi o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) – Cour de Justice de l’Union européenne (CJUE). Para contextualizar: meu marido fez sua tese de doutorado na área do direito sobre a União Europeia (estou falando superficialmente, é mais complexo que isso!), então sempre incluímos visitas a instituições ligadas ao Direito e à União Europeia em nossas viagens.

O TJUE é um grande complexo, com torres douradas, blocos administrativos e o Jardim do Multilinguismo, inaugurado em 2023. Aberto ao público diariamente, o jardim celebra a diversidade linguística e cultural da União Europeia, com elementos que representam suas línguas oficiais – incluindo o português. Caminhar por ali é uma experiência rica e simbólica.

Por curiosidade: cada cidade tem sua função bem definida dentro da União Europeia. Luxemburgo é o coração jurídico, Bruxelas concentra o poder executivo e administrativo (Comissão Europeia e Conselho da UE), e Estrasburgo abriga o poder legislativo, com o Parlamento Europeu.

No site da instituição, vimos que para assistir a uma audiência bastaria chegar 15 minutos antes e apresentar o passaporte. Não foi bem assim. Com essa experiência, seguimos para nossa última atração do dia: o belíssimo e moderno prédio da Philharmonie Luxembourg. A Philharmonie é como uma escultura de música: as colunas brancas lembram uma floresta e a fachada curva parece uma onda sonora. Mesmo sem entrar, o prédio transmite ritmo e leveza, como se a arquitetura fosse uma melodia silenciosa.

Na manhã seguinte fomos direto ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), pois meu marido queria assistir a uma audiência. Durante as sessões não é permitido fotografar nem filmar, que naquele dia aconteceram em francês e inglês. Dentro do complexo, porém, é possível registrar imagens livremente. Infelizmente, a sala de audiências mais célebre – a Grand Salle du Palais – estava fechada. Tanto o exterior quanto o interior do edifício são belíssimos e impressionam pela imponência e modernidade.

Depois fomos pegar um ônibus para Remich, uma cidade próxima a Luxemburgo. O Google Maps nos pregou uma peça e acabamos esperando em um ponto errado, um pouco ermo. Felizmente, um motorista de outro ônibus nos orientou e conseguimos chegar ao tram e depois ao ônibus correto. A caminho de Remich, as paisagens eram espetaculares, com vinhedos e colinas que pareciam pinturas vivas.

A parada do ônibus fica exatamente em frente à vinícola escolhida: a tradicional Caves St Martin. Atenção às informações: no momento a vinícola não possui restaurante próprio, mas há opções próximas. Escolhemos um italiano para aproveitar o momento — e que vista!

Fundada em 1919, a Caves St Martin é uma das mais renomadas do Mosela luxemburguês. Suas caves subterrâneas, escavadas na rocha calcária, se estendem por quase um quilômetro e mantêm uma temperatura constante de 12°C, ideal para a maturação dos vinhos e crémants. O tour guiado explica todo o processo de vinificação e termina com uma degustação que revela a identidade da região. Caminhar por aqueles túneis frios e silenciosos é como mergulhar na história do vinho luxemburguês, e cada taça degustada traduz a tradição e o caráter do Mosela. Foi um passeio incrível, que vale cada momento. Ir até essa região é mergulhar na beleza do Mosela e na tradição vinícola de Luxemburgo, com direito a degustar vinhos e crémants inesquecíveis. E um detalhe que faz toda a diferença: o transporte público em Luxemburgo é totalmente gratuito, tornando a experiência ainda mais prática e agradável.

Retornamos ao centro de Luxemburgo e fomos ao tão comentado café Ladurée para provar os famosos macarons. Vale lembrar que alguns visitantes consideram o atendimento pouco simpático, mas essa não foi a minha impressão. Apesar de um valor extra ter aparecido na conta, a situação foi rapidamente resolvida — ainda bem que eu havia fotografado os pedidos.

O café está localizado na Grand-Rue, a principal rua de compras de Luxemburgo, onde também fica a elegante Galeries Lafayette. A atmosfera é refinada e os macarons realmente justificam a fama, tornando a parada uma experiência deliciosa no coração da cidade.

Terminamos nosso dia no Ascenseur Panoramique du Pfaffenthal, que oferece uma vista privilegiada sobre o bairro residencial e histórico de Pfaffenthal.

Para encerrar a noite, fomos jantar no super recomendado Rives de Clausen, um complexo de lazer e entretenimento instalado nas antigas fábricas de cerveja. O espaço foi revitalizado e hoje reúne bares, restaurantes e casas noturnas, tornando-se um dos principais pontos da vida noturna da cidade. O escolhido da vez foi o Big Beer Company, a única microcervejaria de Luxemburgo. Produzindo suas próprias cervejas artesanais, o local tem estilo brew pub alemão, com decoração rústica e uma atmosfera animada — especialmente à noite.

Nosso último dia foi dedicado a relaxar e passear pelo Grund, um bairro que parece saído de um conto medieval. Entre ruas estreitas, casas antigas e o rio Alzette serpenteando pelo vale, o tempo parece desacelerar. Caminhar por ali é sentir a história viva de Luxemburgo, com o silêncio das pedras e o charme das fachadas coloridas. 

O Grund é como uma vila dentro da cidade: acolhedor, tranquilo e cheio de pequenos tesouros, como o antigo mosteiro Neimënster e a estátua da Melusina, guardiã das lendas locais. À noite, os bares e restaurantes iluminam o bairro, mas durante o dia ele é puro convite à contemplação. 

Foi o cenário perfeito para encerrar a viagem um desfecho sereno para dias tão intensos. 

Até breve. Gi

top spot

A visita à Caves St Martin foi simplesmente sensacional. O caminho até lá já era um espetáculo à parte, com paisagens que pareciam pintar a estrada de encanto. A cidade de Remich, com sua atmosfera acolhedora, revelou-se um lugar que merece ser saboreado com calma. Se eu tivesse mais tempo, certamente teria explorado outras vinícolas da região, mergulhando ainda mais nesse universo de aromas e histórias que o vinho guarda em cada taça. 

feelings

Caminhar pelas ruas de Luxemburgo foi mergulhar no cenário que sempre me move a viajar: descobrir lugares que parecem feitos para serem sentidos. As ruas estreitas guardavam segredos antigos, enquanto construções modernas se entrelaçavam com a história, criando um contraste encantador. Entre cafés acolhedores e recantos agradáveis, cada instante parecia suspenso, como se o mundo inteiro se resumisse ao prazer de simplesmente estar ali, sentar e apreciar o momento.

info

Estive em Luxemburgo em abril de 2026. Foram quatro noites bem aproveitadas, tempo suficiente para sentir o ritmo da cidade e me deixar envolver por sua atmosfera. Descobri que é o único grão‑ducado do mundo, governado pelo Grão-Duque, e que ali convivem três idiomas oficiais — luxemburguês, francês e alemão. O país, pequeno em tamanho, mas enorme em riqueza e diversidade, tem quase metade da população formada por estrangeiros, o que o torna vibrante e multicultural. O que mais me chamou atenção foi a praticidade: desde 2020, o transporte público é gratuito para todos, um detalhe que facilita a vida e revela cuidado com quem vive e visita.

 

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