Vaduz e a Hofkellerei des Fürsten von Liechtenstein: uma viagem pelos vinhos do principado

Descubra a Hofkellerei des Fürsten von Liechtenstein em Vaduz: vinhos premiados, degustações autênticas e a atmosfera única dos vinhedos alpinos. Uma viagem que une tradição, cultura e sabor no coração do principado.

Entre vinhedos alpinos e tradições seculares, uma experiência sensorial inesquecível em Liechtenstein.

No coração da Europa, entre montanhas imponentes e o vale do Reno, está Liechtenstein — um dos menores países do mundo, mas com uma identidade cultural e histórica marcante. Apesar de seu tamanho diminuto, o principado guarda tradições seculares e uma atmosfera que mistura modernidade com herança aristocrática.
Entre os símbolos dessa tradição está a Hofkellerei des Fürsten von Liechtenstein, a vinícola da família principesca localizada em Vaduz. Mais do que um espaço de produção de vinhos, ela representa a continuidade de uma história vitivinícola que atravessa gerações. Reconhecida pela excelência de rótulos como Pinot Noir e Riesling, a vinícola combina a beleza dos vinhedos alpinos com experiências gastronômicas e culturais que revelam a alma do país.

Visitar a Hofkellerei é mergulhar em um universo onde cada taça traduz o território e a cultura de Liechtenstein, transformando o simples ato de degustar vinho em uma verdadeira viagem sensorial.

Degustação incrível, mas a viagem foi muito além! Veja o post completo sobre Liechtenstein aqui.

Ao chegar à vinícola principesca em Vaduz, a sensação foi de entrar em um cenário de conto alpino. Logo na entrada, uma linda placa chamava atenção: o nome da cidade, Vaduz, formado inteiramente por rolhas de vinho — um detalhe criativo que já anunciava o espírito do lugar.

Depois de uma breve caminhada, os vinhedos se abriram diante de nós, emoldurados pelo vale do Reno e pelas montanhas que pareciam proteger aquele pedaço de terra fértil. A atmosfera era de calma e tradição, mas também de sofisticação — uma combinação que só um lugar com séculos de história poderia oferecer.

Como chegamos um pouco antes do horário marcado para a degustação, pudemos aproveitar com calma a paisagem dos vinhedos que cercam a vinícola e explorar a loja repleta de opções de rótulos. O clima estava agradável: fazia um friozinho típico da região, mas o sol da tarde começava a aquecer suavemente, tornando o passeio ainda mais prazeroso.

Por ser abril, os parreirais ainda não exibiam uvas, mas mesmo assim a cena tinha sua beleza própria — marcada pela serenidade e pela expectativa da próxima colheita. Caminhamos entre os vinhedos iluminados pela luz dourada, registramos fotos que capturavam a essência do lugar e experimentamos alguns dos produtos artesanais oferecidos ali, como azeite e mel.

Na loja, cada garrafa parecia contar uma história, com rótulos elegantes que transmitiam a identidade e o orgulho do principado.

A anfitriã, simpática e atenciosa, nos ouviu conversando em português e, para nossa surpresa, perguntou se éramos do sul do Brasil e se falávamos alemão. Sorri, intrigada com a pergunta, e fiquei pensando em como ela havia chegado a essa conclusão. Respondi que sim, éramos do sul, mas que nosso alemão se limitava a algumas frases básicas.

O mistério logo se desfez: descobrimos que ela havia morado em Curitiba por dois anos, o que explicava sua familiaridade com nossa cultura e curiosidade sobre nossa origem. Ela ainda acrescentou que entendia praticamente tudo o que falávamos em português, embora não conseguisse se expressar muito bem no idioma. Essa revelação trouxe ainda mais proximidade à conversa e fez com que nos sentíssemos acolhidos.

Essa conexão inesperada transformou a experiência em algo além da degustação de vinhos: foi também um encontro de histórias, culturas e lembranças compartilhadas, que tornou o momento ainda mais especial.

Quando chegou a hora da degustação, fomos conduzidos até a sala já preparada com uma mesa lindamente posta. O ambiente, iluminado por uma meia-luz acolhedora, exibia mapas dos vinhedos e transmitia uma atmosfera intimista e elegante.

Um detalhe especial chamava atenção: o jogo americano mostrava o mapa de Liechtenstein e da Áustria, indicando exatamente onde se localizam os vinhedos da vinícola. Era como se cada convidado fosse convidado a viajar visualmente pelo terroir antes mesmo de provar os vinhos. Esse toque criativo não apenas embelezava a mesa, mas também reforçava a conexão entre Vaduz, sede da Hofkellerei, e os vinhedos históricos da família principesca no Weinviertel austríaco — uma forma sofisticada de unir tradição e geografia em um único gesto.

Assim que a degustação começou, o espaço ganhou vida. Nosso grupo se misturava a um viajante solitário, curioso e atento, e a um animado grupo de mulheres em clima de despedida de solteira, o que deixou a experiência ainda mais divertida e descontraída.

O espumante Liesecco abriu a sequência com frescor e leveza. Logo descobrimos a brincadeira por trás do nome: uma releitura criativa do famoso Prosecco italiano, que possui denominação de origem. Unindo “Liechtenstein” + “secco”, nasceu o “Lie-secco” — uma forma espirituosa de dar identidade própria ao espumante do principado. Leve, elegante e perfeito para iniciar a degustação, ele já anunciava que aquela experiência seria especial.

A primeira taça de vinho branco trouxe o Weinviertel Grüner Veltliner, produzido pela Hofkellerei des Fürsten von Liechtenstein nos vinhedos históricos da família no nordeste da Áustria. Fresquinho e elegante, tinha aquele sabor cítrico com um toque diferente que lembrava especiarias. Foi leve, vibrante e fácil de gostar — daqueles vinhos que combinam tanto com uma conversa descontraída quanto com um jantar leve.

A segunda taça foi o Grüner Veltliner Reserve 2023, que já chegou mostrando mais presença. Enquanto o primeiro era leve e refrescante, este parecia mais encorpado, com sabores mais maduros e até um fundinho adocicado. Foi como passar de uma música suave para uma melodia mais intensa — ainda agradável, mas com mais camadas. Não à toa, é um vinho reconhecido internacionalmente. Não por acaso, recebeu reconhecimento internacional, incluindo 92 pontos da revista Falstaff.

A terceira taça trouxe o Herrnbaumgarten 2023, o último branco da sequência. Ele veio cheio de frescor, com um sabor mais simples e direto, daqueles que dão vontade de repetir sem pensar muito. Foi leve, jovial e perfeito para encerrar a parte dos brancos com um sorriso.

O primeiro tinto foi o Pinot Noir AOC Eschen 2023, vindo diretamente dos vinhedos de Liechtenstein. A cor já chamava atenção, e o sabor era delicado, trazendo uma sensação de aconchego depois dos brancos. Foi como mudar de estação: dos dias ensolarados para uma noite agradável de outono.

Depois veio o Herawingert Pinot Noir Grosse Reserve 2021, que roubou a cena. Mais intenso, mais sofisticado, parecia contar uma história diferente a cada gole. Foi o tipo de vinho que pede calma, para ser apreciado devagar, e deixou claro por que é considerado um dos grandes destaques da vinícola.

O Profundo Cuvée 2021 encerrou os tintos com força e personalidade. Diferente dos Pinots, era mais robusto, cheio de presença, daqueles vinhos que aquecem e marcam. Depois da delicadeza dos brancos austríacos e da elegância dos Pinots de Liechtenstein, este vinho trouxe intensidade e profundidade.

E esse doce final veio com o Ice Wine (Eiswein) 2023, o vinho de sobremesa. Dourado e brilhante, parecia um néctar. Doce, mas equilibrado, lembrava frutas e mel, sem ser enjoativo. Foi como comer uma sobremesa líquida, perfeita para fechar a experiência com delicadeza. Esse vinho é feito a partir de uvas colhidas e prensadas ainda congeladas, o que concentra os sabores e resulta em uma doçura intensa, mas sempre harmoniosa.

E quando eu pensei que já podia pegar a sacolinha de vinho e ir embora, meu marido inventa de fazer a degustação do Whisky da vinícola! Sim, essa vinícola produz um whisky.

Foi uma revelação inesperada: depois de tantos vinhos, a Hofkellerei ainda nos surpreendia com um destilado de personalidade própria. O whisky trazia notas marcantes de carvalho, baunilha e especiarias, resultado do envelhecimento cuidadoso em barricas que antes haviam abrigado vinho. Essa última experiência deu a sensação de que a vinícola não se limita apenas à tradição vitivinícola, mas também ousa explorar novos caminhos, mantendo sempre a mesma busca por qualidade e autenticidade. Foi como um brinde inesperado, fechando a visita com chave de ouro e deixando a lembrança de uma jornada completa pelos sabores de Liechtenstein e da Áustria.

Entre as taças de vinho branco e tinto, aprendemos a brindar como os locais: “Zum Wohl!”. Cada gole revelava nuances diferentes, ora delicadas, ora intensas, como se traduzissem a alma do principado em sabores.

No fim, percebi que não era apenas uma degustação de seis vinhos e um whisky, mas uma verdadeira viagem sensorial. Saímos com a sensação de ter vivido algo autêntico, carregando não só lembranças, mas também um pedaço da essência de Liechtenstein. Foi uma experiência que uniu tradição, hospitalidade e cultura — e que ficará guardada como um dos capítulos mais encantadores dessa jornada.

Até breve. Gi

top spot

Claro que a degustação é o lugar onde qualquer apaixonado por vinho quer estar — afinal, quem não gosta de provar taças e mais taças? Mas confesso: a paisagem em frente ao prédio principal da vinícola já valeria a visita por si só. Caminhar entre as parreiras foi quase tão prazeroso quanto levantar a taça.

feelings

Eu adoro visitar vinícolas menores, porque sempre tem um charme especial. A produção é limitada, feita com foco em qualidade e tradição, e cada garrafa parece carregar uma história própria. É como entrar numa vinícola boutique: você sente que está provando algo exclusivo, feito com carinho, e não um vinho produzido em massa. Fora que o atendimento é outro nível — as pessoas te recebem com atenção, contam detalhes curiosos e fazem você se sentir parte da casa. Essa proximidade deixa tudo mais leve e divertido, quase como visitar amigos que resolveram te mostrar seus vinhedos..

info

Fiz essa viagem em abril de 2026. Os vinhos vêm de locais renomados como Karlsberg e Johannesbergen (na Áustria), além do Herawingert (em Vaduz). Desde 1712, quando o príncipe Johann Adam I adquiriu a região de Vaduz, o vinhedo Herawingert passou a ser parte da propriedade da família. Hoje, com cerca de 4 hectares, é considerado uma das melhores áreas de cultivo do Vale do Reno.

O azeite Natives Olivenöl Extra BIO da Hofkellerei é um produto orgânico de altíssima qualidade, feito a partir de azeitonas cultivadas sem pesticidas e prensadas a frio, resultando em um sabor fresco, frutado e levemente picante. É considerado um azeite premium, ideal tanto para cozinhar quanto para consumo cru, como em saladas ou sobre pães.

É um azeite pensado para quem valoriza autenticidade e qualidade, trazendo o mesmo cuidado artesanal que a vinícola aplica em seus vinhos. É uma ótima lembrança para levar junto com os rótulos degustados, pois traduz a filosofia da casa: tradição, pureza e respeito à natureza.

 

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