Descubra Berna, a charmosa capital da Suíça, com suas ruas medievais, fontes históricas, a casa de Einstein e a icônica Torre do Relógio.
Berna, a Capital Suíça que Encanta em Cada Detalhe. Passeios pela Cidade Velha, fontes renascentistas e o mundo de Einstein.
O dia começou com aquele friozinho suíço que já anunciava uma jornada especial na capital do país: Berna. Sim, a capital da Suíça é Berna — não Genebra, não Zurique.
Na estação de Basel, peguei meu café básico, indispensável para começar bem o dia, e partimos animados rumo ao encontro com os primos e à descoberta de mais uma cidade desse país maravilhoso.



O nome “Berna” vem da palavra alemã Bär (urso), pois, segundo a lenda, o duque Berthold V de Zähringen teria caçado um urso ao fundar a cidade. Berna também é conhecida por ter sido o lugar onde Albert Einstein viveu e trabalhou, desenvolvendo parte de sua teoria da relatividade.
Charmosa e histórica, a cidade é atravessada pelo rio Aar e famosa por seu centro medieval preservado, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO. Além de ser o coração político da Suíça, Berna encanta os visitantes com sua arquitetura, museus e paisagens naturais que revelam toda a beleza e diversidade do país. Cada vez que embarcamos em um trem na Suíça, sinto que me apaixono ainda mais por este lugar. As paisagens que desfilam pela janela são tão deslumbrantes que uma hora de viagem parece passar num instante.
Ao chegarmos na estação central de Berna, nos encontramos com os primos e, juntos, seguimos para explorar cada canto dessa cidade encantadora. Logo no início do passeio, nos deparamos com a primeira fonte do dia: Pfeiferbrunnen, a Fonte do Gaiteiro. Uma curiosidade fascinante é que Berna possui mais de 100 fontes, embora cerca de 11 sejam consideradas icônicas e tenham se tornado verdadeiros símbolos da cidade. Cada uma delas traz uma figura ou tema diferente — justiça, personagens bíblicos, heróis e até cenas curiosas, como a famosa Kindlifresserbrunnen (Fonte do Devorador de Crianças).
Entre as mais conhecidas estão:
Kindlifresserbrunnen: uma das mais intrigantes e até assustadoras.
Zähringerbrunnen: homenagem ao fundador da cidade, Berthold V de Zähringen.
Gerechtigkeitsbrunnen (Fonte da Justiça): representa a Justiça com espada e balança.
Simsonbrunnen: mostra Sansão derrotando o leão, símbolo de força.
Mosesbrunnen: retrata Moisés com as tábuas da lei.








Nossa primeira parada foi na Käfigturm, uma torre histórica que já serviu como prisão e hoje se ergue imponente na praça Marktgasse. Era sábado e havia uma feirinha acontecendo, o que deixou o ambiente ainda mais animado. Passeamos brevemente e encontramos um músico tocando piano, tornando o momento ainda mais especial. Ali perto, descobrimos a segunda fonte do dia: Schützenbrunnen, a Fonte do Atirador.
Seguindo adiante, caminhamos até o imponente Palácio Federal da Suíça (Bundeshaus). É possível visitar o interior, mas não era nosso foco — além disso, havia uma fila enorme. Na lateral do prédio, um belo arco nos presenteou com uma vista incrível do vale do rio Aar. Dali, decidimos seguir em direção ao Parque dos Ursos (Bärenpark), já que a priminha Manu queria ver os ursos, e claro, nós também! Aproveitamos a paisagem e fomos caminhando “margeando” o vale.
No caminho, ouvimos outro músico, desta vez tocando acordeon, e seguimos a melodia até chegarmos à rua Münstergasse, onde acontecia outra feirinha de produtos locais. Como em toda cidade suíça, nunca conseguimos andar em linha reta até o destino: sempre há “obstáculos” maravilhosos pelo caminho. Nesse caso, foi a majestosa Catedral de Berna (Berner Münster).






A Catedral é o maior templo gótico da Suíça e um dos símbolos mais marcantes da cidade. Seus elementos artísticos e religiosos, especialmente o portal do Juízo Final e os vitrais medievais, carregam significados profundos que unem fé, história e cultura. Na fachada, 234 figuras esculpidas em arenito representam o Juízo Final: os justos sendo conduzidos ao céu e os pecadores ao inferno. E como se não bastasse essa obra magnífica, ao entrarmos na catedral tivemos o privilégio de ouvir uma pessoa abençoada tocando o órgão de tubos. Um momento inesquecível.
E o que havia na praça em frente à igreja? Acertou quem disse: mais uma fonte! A Mosesbrunnen, a Fonte de Moisés. Me lembrei de Budapeste, onde pequenas estátuas estão espalhadas pela cidade. Em Berna, são as fontes que cumprem esse papel — e eu simplesmente adorei.






Passando pela ponte Nydeggbrücke já avistamos o aglomero para ver os ursos! Localizado às margens do rio Aar, o Bärenpark foi inaugurado em 2009 para substituir o antigo fosso dos ursos (Bärengraben), que existia desde o século XVI. É um espaço amplo e natural, onde os ursos podem circular livremente, brincar e até nadar no rio. Um túnel conecta o parque ao antigo fosso, garantindo mobilidade entre os dois ambientes. Os visitantes podem observar os animais de passarelas e miradouros sem interferir no bem-estar deles. O acesso é gratuito e, além de ver os ursos, o parque oferece uma vista panorâmica espetacular do vale do Aar e da Cidade Velha de Berna. Eu achei o lugar extremamente agradável e gostei especialmente do fato de podermos observar os ursos de cima, em um plano elevado, diferente dos zoológicos tradicionais.
Do ladinho, paramos para almoçar no Altes Tramdepot. Este lugar é muito mais do que um restaurante — é uma experiência completa de gastronomia, cerveja artesanal e cultura local, com uma vista privilegiada de Berna. Entre os principais estilos produzidos estão a Helles, a Märzen e a Weizen. Além dessas opções fixas, há sempre novidades chamadas Brewer’s Tap, que variam conforme a criatividade dos mestres cervejeiros. O espaço também conta com a Eiswerkstatt, uma sorveteria artesanal integrada, perfeita para completar a refeição.
Os primos húngaros mais alemães que conheço pediram o prato favorito do meu marido: Schweinshaxe (ou Eisbein). Quem me acompanha sabe que ele pede esse joelho de porco em todos os países onde encontra — já virou tradição de viagem!
Do outro lado da rua, nos deparamos com uma corrida animadíssima de carrinhos de rolimã. Era impossível não sorrir: cada equipe de crianças transformava o momento em um espetáculo de criatividade temática, com cores, fantasias e ideias que davam vida própria à brincadeira.















Caminhando pela cidade, fizemos uma parada na principal rua de Berna: a Kramgasse. Ela é uma das ruas mais emblemáticas da Cidade Velha, conhecida por suas fachadas barrocas, pelas arcadas cobertas (Lauben) e pelas fontes históricas que encontramos ao longo do caminho: Simsonbrunnen, Zähringerbrunnen e Kreuzgassbrunnen. A Kramgasse conecta a Torre do Relógio (Zytglogge) à Kreuzgasse e abriga o famoso Einsteinhaus.
A Einstein House em Berna é um pequeno museu onde Albert Einstein viveu entre 1903 e 1905 e escreveu alguns de seus trabalhos mais revolucionários, incluindo a teoria da relatividade especial. Hoje, o espaço está restaurado e aberto ao público, oferecendo uma visão íntima da vida cotidiana do cientista e de sua família. Tem experiência imersiva com móveis originais e objetos que recriam o cotidiano de Einstein. E exposição científica com painéis e vídeos explicam suas descobertas, como a hipótese dos quanta de luz e a teoria da relatividade especial.









Depois de absorver um pouquinho do mundo de Einstein, seguimos caminhando até a Rathaus Bar. Sentar ali, diante do imponente prédio da Câmara Municipal de Berna, foi como abrir uma janela para a vida cotidiana da cidade. O café chegou quente, perfumado, e cada gole parecia se misturar ao cenário que se desenrolava diante dos olhos: ciclistas passando com naturalidade, turistas encantados com as fontes renascentistas, moradores conversando sob as arcadas medievais. Foi um momento de pausa, de contemplação, em que o tempo parecia desacelerar.
De lá, seguimos para uma breve visita à Igreja Católica de São Pedro e São Paulo, ao lado do Rathaus. Entrar naquele espaço silencioso, com sua atmosfera solene e arquitetura imponente, foi como equilibrar o burburinho da cidade com um instante de introspecção.






Antes de retornar para Basel, surge diante de nós a Zytglogge, a imponente Torre do Relógio. A Zytglogge não é apenas um marco arquitetônico; é o coração pulsante da Cidade Velha de Berna. Ao longo dos séculos, seu topo já serviu como torre de defesa, prisão e até centro de referência para medir o tempo. Hoje, permanece como símbolo da identidade da cidade, lembrando que em Berna o tempo não corre apressado, mas se revela em cada detalhe — no som dos sinos, nas figuras mecânicas que ganham vida a cada hora e na atmosfera única que envolve quem passa por ali.




Berna não é apenas a capital da Suíça; é uma experiência que mistura ciência, cultura e cotidiano em perfeita harmonia. Ao partir rumo a Basel, fica a certeza de que Berna é uma cidade que se descobre devagar, no ritmo tranquilo de suas ruas medievais e na beleza silenciosa de sua história. É um desfecho que deixa no ar a vontade de voltar, porque Berna não se esgota em uma única visita — ela se revela aos poucos, como um lugar que convida sempre a mais um capítulo.
Até breve. Gi

top spot
O Parque dos Ursos é surpreendente: um refúgio encantador às margens do rio Aar. Com sua atmosfera tranquila e a presença dos ursos vivendo em um espaço amplo e natural, o local oferece uma experiência única. O cenário, emoldurado pelo rio e pela vegetação, é imperdível para quem visita Berna — um encontro perfeito entre natureza, história e beleza.

feelings
Berna é uma cidade que raramente aparece nos roteiros de viagem pela Suíça, mas me surpreendeu profundamente. Gostei muito de passar o dia por lá e descobrir a beleza de suas ruas medievais, suas fontes históricas e o charme tranquilo que a torna única.

info
Fiz essa viagem em abril de 2026. Saí da estação central de Basel e, em aproximadamente 1h15 de trem, cheguei à estação central de Berna. A partir dali, percorri todo o roteiro descrito acima a pé, explorando cada detalhe da cidade com tranquilidade e encantamento.

Pingback: Basel, Porta de Entrada para a Suíça e Além.