Oslo, Noruega: fiordes, modernidade e heranças vikings.

Descubra Oslo, a capital da Noruega: fiordes deslumbrantes, paisagens nórdicas únicas e a fascinante herança viking. Um guia de viagem completo para quem busca experiências autênticas em um destino inesquecível no coração da Escandinávia.

Uma jornada pela capital nórdica, onde natureza exuberante, arquitetura contemporânea e ecos da era viking se encontram.

Chegar a Oslo é como abrir uma janela para o coração da Escandinávia. A capital norueguesa surpreende pela forma como combina a grandiosidade dos fiordes e a herança viking com a modernidade de uma cidade vibrante e cosmopolita. Cada detalhe — das casas coloridas à beira da água às construções contemporâneas que se erguem em harmonia com a natureza — revela uma cidade que respira história e inovação ao mesmo tempo.

Assim que chegamos ao bairro onde estávamos hospedados, percebi que Oslo era realmente diferente. O silêncio absoluto, a tranquilidade e as ruas arborizadas me surpreenderam — parecia um domingo em uma cidade pequena do interior. Nossa hospedagem ficava em Frogner, um dos bairros mais elegantes e tradicionais da capital. Predominantemente residencial, é marcado por prédios históricos e uma atmosfera serena, perfeita para descansar depois de explorar o ritmo vibrante do centro.

A localização também é estratégica: em poucos minutos de transporte público ou mesmo a pé, é possível chegar ao centro de Oslo e às principais atrações turísticas, tornando a experiência ainda mais prática e agradável.

Devidamente instalados, saímos para nossa primeira atração do dia em Oslo: o Slottet, o Palácio Real da cidade. O Palácio é a residência oficial da família real norueguesa e um dos marcos mais importantes da capital. Localizado no fim da Karl Johans gate, combina arquitetura neoclássica com grande simbolismo histórico e cultural. Como ele abre apenas durante o verão, não conseguimos visitar o interior, mas o entorno já é um passeio encantador.

O Slottsparken é o grande parque que circunda o Slottet e funciona como um verdadeiro refúgio verde no coração da cidade. Aberto ao público, é oferece uma atmosfera tranquila e, ao mesmo tempo, cheia de história. O espaço é repleto de esculturas e monumentos que contam parte da trajetória e da cultura norueguesa, e caminhar por ali é como passear por uma galeria a céu aberto.

Entre as obras que encontrei, duas chamaram minha atenção. A estátua da Rainha Maud, primeira rainha da Noruega independente, lembrada por sua elegância e papel histórico. E a escultura “Jordas Hand” (A Mão da Terra), que mostra uma mão aberta sustentando uma árvore. Ela celebra a harmonia entre pessoas e natureza, lembrando que o futuro depende desse cuidado mútuo.

Foi o que conseguimos fazer no nosso primeiro dia em Oslo e, ao final, voltamos caminhando até o Airbnb. A cada passo, nos encantávamos ainda mais com o bairro em que estávamos hospedados, envoltos por uma atmosfera que parecia nos abraçar.

Antes de encerrar o dia, passamos no mercado para nos abastecer e foi ali que tivemos nosso primeiro choque cultural: os preços noruegueses. Entre prateleiras impecavelmente organizadas e produtos tentadores, parecia que cada item custava uma pequena fortuna. Saímos rindo, dizendo que quase ficamos pobres apenas por comprar o básico.

No novo dia da nossa viagem, fomos conhecer a Oslo Domkirke, a Catedral de Oslo. Ela é a principal igreja da capital norueguesa e um dos marcos históricos mais importantes da cidade. Construída entre 1694 e 1697, continua ativa até hoje e é utilizada tanto para cerimônias nacionais quanto para cultos cotidianos. Para nossa surpresa, descobrimos que logo aconteceria ali um concerto de órgão de tubos, e já ficamos animados com a ideia de vivenciar essa experiência única.

Esse concerto foi um Masterkonsert de órgão de tubos, com o organista Jon Martin Høie, ligado à Norges musikkhøgskole (Academia Norueguesa de Música). O formato Masterkonsert é uma apresentação de alto nível, geralmente associada a alunos de mestrado ou recém-formados da Academia, e destaca técnica refinada e interpretação sensível. O órgão da Domkirke é um dos mais importantes da Noruega, com uma sonoridade imponente que preenche todo o espaço da catedral.

Tive a sorte de estar ali justamente em um dia de concerto, e assistir a esse recital foi uma experiência única: o som poderoso ecoava sob o teto pintado e os vitrais coloridos, criando uma atmosfera quase espiritual. O contraste entre a grandiosidade do instrumento e a delicadeza das mãos do organista transformou o concerto em algo verdadeiramente memorável.

Saímos da maravilhosa experiência famintos e seguimos o roteiro até o Oslo Street Food, uma das principais food halls da cidade, localizado no antigo Torggata Bad. Mais do que um espaço gastronômico, é um ponto de encontro cultural e social, perfeito para experimentar sabores do mundo todo em um só lugar, com a energia vibrante do centro da cidade. No entanto, não era exatamente o que buscávamos naquele momento: havia cardápio por QR code, necessidade de cadastro… e simplesmente não estávamos na vibe.

Após repor as energias no almoço, seguimos para a ponte Ankerbrua, conhecida como Eventyrbrua (Ponte dos Contos de Fadas). Não é uma ponte enorme, mas é super simpática e cheia de charme. Ela se destaca pelas quatro esculturas de bronze inspiradas em personagens de contos populares noruegueses, criadas pelo artista Dyre Vaa em 1937. Uma delas é a de Veslefrikk med fela, o rapaz que recebe três desejos de um troll e usa seu violino mágico para encantar todos ao seu redor.

Seguindo o roteiro do dia, passamos em frente ao Parlamento da Noruega, o Stortinget, localizado na rua principal da cidade. Em frente ao edifício está a charmosa praça Eidsvolls plass, um espaço verde muito agradável. A poucos minutos dali encontra-se a Oslo rådhus, a Prefeitura da cidade.

Ao passarmos pela parte de trás da Prefeitura, vimos uma longa fila de pessoas vestindo trajes típicos noruegueses, todos lindíssimos, e havia grande movimentação ao redor. Não soube exatamente do que se tratava, mas pesquisando descobri que ali são realizadas cerimônias de casamento civil, muitas vezes coletivas, e tudo indicava que era isso mesmo.

A Oslo rådhus, além de ser a sede executiva da cidade, é também um ícone arquitetônico e cultural da Noruega, símbolo da democracia e palco de eventos de relevância mundial. Você sabia que a cerimônia do Prêmio Nobel da Paz acontece dentro da Prefeitura? Ela é realizada todos os anos em 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel. O grande salão, decorado com murais monumentais que retratam a história e a cultura norueguesa, recebe os membros da família real, autoridades políticas, diplomatas, convidados internacionais e, claro, o laureado ou laureados do Nobel da Paz.

Neste mesmo dia também são entregues, em Estocolmo, Suécia, os Prêmios Nobel nas demais áreas. Eu já conheci a cidade e, se quiser saber como foi minha passagem por lá, acesse o link.

Seguindo o roteiro, ao lado da Oslo rådhus, localizada na Rådhusplassen, fomos conhecer o Nobel Peace Center — um espaço cultural dedicado ao legado dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, com exposições e atividades voltadas para o diálogo e a cooperação.

Em frente ao centro, há um banco especial chamado The Best Weapon, inspirado na frase de Nelson Mandela: “A melhor arma é sentar-se e conversar”. Ele simboliza o poder do diálogo e convida as pessoas a se aproximarem e conversarem, com uma bela vista direta para o fiorde de Oslo.

Dentro do Nobel Peace Center, as exposições interativas apresentam histórias dos laureados do Nobel da Paz, com instalações multimídia que convidam o visitante a refletir sobre conflitos, direitos humanos e cooperação. É um espaço que mistura museu e fórum, onde a paz se torna algo palpável.

Em comparação, o Nobel Prize Museum, em Estocolmo, é um espaço intimista que celebra todos os prêmios Nobel, com foco em ciência, literatura e cultura. Ele oferece uma experiência mais tradicional e acadêmica, em contraste com a atmosfera contemporânea e engajada do Nobel Peace Center em Oslo.Depois de tantas caminhadas pela cidade, fazer uma pausa na Baker Hansen foi uma escolha perfeita. Fundada em 1861, é uma das cafeterias e padarias mais tradicionais de Oslo, conhecida por seus pães artesanais, bolos e cafés especiais. A atmosfera acolhedora, o aroma de café fresco e do pão recém-assado tornaram o momento ainda mais especial. Sentar ali, descansar e saborear algo gostoso trouxe aquela sensação feliz de aproveitar Oslo não apenas pelos monumentos, mas também pelos pequenos prazeres do dia.

Estávamos voltando para o Airbnb quando, ao passar por uma praça no centro, vimos uma movimentação animada e perguntamos o que era. Descobrimos que haviam montado um espaço para transmitir a final da UEFA Champions League. Futebol, aí vamos nós!

Às 22h o sol ainda brilhava no céu — uma sensação única para quem não está acostumado com os longos dias de verão no norte da Europa. Sentamos diante de um telão, cercados por noruegueses vibrando juntos, e mergulhamos na atmosfera festiva.

Apesar de todo mundo achar que os homens são os “chatinhos” com os custos das viagens, neste caso sou eu. Sempre guardo os recibos e tento controlar os gastos, mas confesso que em Oslo isso foi desafiador. Um exemplo foi justamente essa parada: na empolgação pedimos algumas cervejas para acompanhar o jogo, afinal fazia parte da experiência. Resultado? Gastamos alguns bons “dinheirinhos” ali. Risos.

Foi um momento espontâneo, divertido e inesquecível — daqueles que mostram que viajar também é deixar-se levar pelo clima da cidade. Valeu a pena!

No dia seguinte, partimos rumo a uma aventura inesquecível: atravessamos paisagens deslumbrantes até Bergen e nos deixamos encantar pelos fiordes. Foi como mergulhar em um cenário pintado pela própria natureza, onde cada curva revelava uma nova beleza. Se quiser acompanhar mais de perto essa experiência, clique aqui e viaje comigo por essas memórias…

Seguindo nosso roteiro por Oslo, a primeira atração do dia foi a visita à Akershus Festning, construída no final do século XIII. A fortaleza jamais foi tomada por forças inimigas e hoje funciona como um espaço histórico e cultural aberto ao público. Além de abrigar o Castelo de Akershus, o Museu das Forças Armadas e o Museu da Resistência da Noruega, oferece vistas deslumbrantes para o fiorde e áreas verdes perfeitas para passeios.

Explorar suas muralhas é como atravessar séculos de história norueguesa em um só lugar. Caminhar entre as pedras medievais e, ao mesmo tempo, observar a cidade moderna ao redor cria um contraste fascinante. É um passeio que une cultura, natureza e história — ideal para quem deseja compreender Oslo além dos pontos turísticos mais óbvios.

Prosseguindo o caminho, passamos pelo Parque Sentrum em direção à Orla Bjørvika. Que lugar belíssimo! Ali encontramos as famosas saunas flutuantes da Oslo Badstuforening, que parecem pequenas casinhas coloridas sobre o fiorde. Elas dão um charme especial à paisagem e convidam a uma experiência única: a tradição norueguesa de alternar o calor intenso das saunas com mergulhos gelados, em meio a uma vista deslumbrante. É o tipo de vivência que conecta cultura local, bem-estar e o prazer de estar à beira do mar em pleno coração da cidade.

Começando a admirar as edificações modernas, entramos na Deichman Bjørvika, a principal biblioteca pública de Oslo. Já é considerada um dos edifícios mais bonitos e modernos da Europa. O espaço oferece entrada gratuita, ambientes culturais dinâmicos e um terraço com vista panorâmica para o fiorde.

Os interiores impressionam: amplos e abertos, com móveis de design contemporâneo, tecnologia de ponta e áreas interativas que tornam a visita ainda mais especial. Um lugar moderno por fora e por dentro — adorei conhecer!

A próxima construção moderna que visitamos foi o Operahuset, a Casa da Ópera de Oslo, um dos marcos arquitetônicos mais icônicos da Noruega. O edifício parece emergir do fiorde, com seu telhado inclinado em mármore branco que convida os visitantes a caminhar até o topo e apreciar vistas panorâmicas da cidade e do mar.

Confesso que a subida exige esforço, mas a vista compensa cada passo e vale a queima das calorias. Infelizmente, não consegui visitar o interior além da recepção, pois havia um espetáculo em andamento. Ainda assim, o edifício por si só é uma atração: o telhado acessível ao público, a arquitetura premiada e o foyer com suas enormes janelas voltadas para o fiorde tornam a visita memorável, mesmo sem assistir a uma apresentação.

Pertinho dali, encontramos outro ícone super moderno: o Munchmuseet. O museu abriga a maior coleção de obras dedicadas ao célebre pintor norueguês Edvard Munch no mundo, incluindo diferentes versões de O Grito, além de pinturas, gravuras, desenhos e objetos pessoais do artista.

Assim encerramos nosso dia, visitando a Praça Jernbanetorget, um dos pontos mais movimentados de Oslo, localizada bem em frente à Estação Central. No centro da praça está a famosa estátua de bronze de um tigre, presente oferecido à cidade em comemoração aos seus 1000 anos.

O tigre foi escolhido porque Oslo é carinhosamente apelidada de “Tigerstaden” (Cidade do Tigre), expressão popularizada pelo poeta Bjørnstjerne Bjørnson no século XIX para simbolizar a força e a energia da capital. É uma obra marcante e muito bonita, que certamente vale o registro.

O bairro onde ficamos hospedados também abriga o famoso Frognerparken, onde está localizado o impressionante Parque de Esculturas de Gustav Vigeland — uma das atrações mais icônicas da Noruega. Foi lá que começamos o nosso dia.

O parque é amplo, verde e muito bem cuidado, ideal para caminhadas, piqueniques ou simplesmente para aproveitar o contato com a natureza. Com seus lagos, jardins de rosas e áreas arborizadas, o Frognerparken oferece um ambiente agradável e tranquilo em meio à cidade. O parque é um lugar que convida a desacelerar e aproveitar a tranquilidade da natureza. Uma visita imperdível em Oslo.

Outra visita espetacular foi a nossa escolha para o almoço e tarde: o Mathallen Oslo, um mercado gastronômico moderno e cheio de vida. Instalado em um antigo prédio industrial, o espaço reúne dezenas de bancas e restaurantes que oferecem desde pratos típicos noruegueses até sabores internacionais.

Eu adoro explorar esses mercados, pois além de provar diferentes sabores, é uma forma de sentir o cotidiano da cidade. Entre os corredores, é possível observar moradores fazendo compras, turistas curiosos e chefs selecionando ingredientes frescos. E, claro, sempre que possível, aproveito para degustar uma taça de vinho e apreciar o ambiente descontraído.

Aproveitamos a outra parte do dia para preparar algo no Airbnb, transformando a hospedagem em um lar temporário — um lugar onde a viagem ganha sabor e se mistura ao cotidiano. Essa experiência torna a hospedagem muito mais do que um simples lugar para dormir: ela passa a ser parte da viagem, um espaço de convivência e de pequenas descobertas, onde pudemos saborear Oslo de um jeito íntimo e autêntico.

Outro dia amanheceu em Oslo e uma nova experiência espetacular surgiu: o Holmenkollen. Uma das coisas que gosto de acompanhar na internet são os jogos de inverno, e ver de perto um local dedicado a esses esportes é muito mais do que especial.

Holmenkollen não é apenas um espaço esportivo: é um verdadeiro templo do esqui nórdico, onde tradição, natureza e cultura se encontram. É também um dos pontos turísticos mais icônicos de Oslo, famoso pelo salto de esqui Holmenkollbakken e pelo museu dedicado à história do esporte — uma estrutura impressionante que já sediou inúmeras competições internacionais e se tornou símbolo da Noruega.

O Museu do Esqui, o mais antigo do mundo, conta a trajetória do esporte desde suas origens até as expedições polares norueguesas. A região oferece ainda trilhas para caminhadas, pistas de esqui de fundo e vistas panorâmicas espetaculares da cidade e do fiorde de Oslo.

Dá mesmo um frio na barriga lá de cima! O Holmenkollen impressiona não só pela grandiosidade da pista de salto, mas também pela sensação de estar no topo de uma estrutura tão icônica. Olhar para baixo e imaginar os atletas se lançando dali é de tirar o fôlego — mistura de admiração e medo. Essa vertigem faz parte da experiência e reforça ainda mais o respeito pelo esporte e pelos que se arriscam naquele “templo” do esqui nórdico.

Após sentir a adrenalina no topo da pista de salto, fomos buscar outra perspectiva de Oslo: uma caminhada elevada entre árvores que une design inovador, acessibilidade e vistas inesquecíveis. O Stovnertårnet é um mirante único em forma de passarela elevada que serpenteia entre as copas das árvores. Inaugurado em 2017, possui cerca de 265 metros de extensão e 15 metros de altura, oferecendo vistas panorâmicas da região de Groruddalen e, em dias claros, até do Oslofjord. É um lugar diferente, inspirador e que revela um ângulo surpreendente de observar a cidade.

Meu dia se encerrou com a felicidade de ter conhecido lugares incríveis de neve — cenários que praticamente não existem aqui no sul do Brasil. Nem todos os registros serão capazes de traduzir as memórias criadas neste dia, pois algumas experiências só podem ser guardadas no coração e na lembrança de quem as viveu.

Nosso roteiro ganhou um tom histórico quando entramos no Nasjonalbiblioteket (Biblioteca Nacional da Noruega), em Oslo. Caminhar por aquele edifício de 1914 foi como mergulhar na memória cultural do país. Entre exposições, concertos e palestras, descobrimos também uma das salas de leitura mais belas da cidade — e tudo isso com entrada gratuita.

Então retornamos ao centro da cidade para visitar a parte interna da Oslo Rådhus. Entrar na Prefeitura é uma experiência cultural marcante: além de ser o local da cerimônia anual do Prêmio Nobel da Paz, o edifício impressiona com murais monumentais e salas históricas abertas ao público. O Salão Principal (Rådhushallen), palco da entrega do Nobel, tem 26 metros de altura e é decorado com murais grandiosos de artistas como Henrik Sørensen e Alf Rolfsen, que retratam a história, o trabalho e a resistência da Noruega.

Para completar a visita, descobrimos que o restaurante da prefeitura também está aberto ao público. Diferente de muitos prédios administrativos, o Oslo Rådhus possui um espaço interno acessível a visitantes, que preserva o estilo sóbrio e elegante do edifício. Frequentado tanto por funcionários quanto por turistas curiosos como eu, o restaurante oferece pratos típicos noruegueses e opções internacionais, com preços mais acessíveis do que os restaurantes da região de Aker Brygge. Almoçar ali foi uma forma autêntica de vivenciar o cotidiano da cidade.

Em frente à entrada principal da prefeitura está a Rådhusplassen, uma ampla praça e área de convivência que conecta o prédio diretamente ao Oslofjord. É um espaço vibrante, perfeito para diversos registros fotográficos e para apreciar a atmosfera da cidade.

Dali aproveitamos outra aventura: pegamos um patinete elétrico para explorar outro lado da cidade e observar as habilidades dos noruegueses no futebol. O Bislett Stadion combina futebol e atletismo em um mesmo espaço, sendo um verdadeiro símbolo esportivo da Noruega. Logo ao entrar, impressiona ver o campo de futebol cercado pela pista de atletismo, palco de dezenas de recordes mundiais e do tradicional Bislett Games. É curioso pensar que naquele mesmo espaço já aconteceram competições olímpicas de patinação e corridas lendárias que marcaram a história do esporte. Caminhar pelas arquibancadas e imaginar a energia das multidões foi como sentir a pulsação esportiva da cidade.

Antes de retornar para nossa casa temporária, passamos na Vinmonopolet. Na Noruega, a venda de bebidas alcoólicas é controlada pelo Estado e só pode ser feita nessas lojas, que são a rede oficial e exclusiva autorizada a comercializar bebidas com teor alcoólico acima de 4,7%.

No nosso último dia em Oslo, depois de tantas experiências vividas pela primeira vez, fomos conhecer uma cervejaria artesanal. Sagene é realmente um bairro encantador, cheio de história e charme. Ele nasceu às margens do rio Akerselva, onde funcionavam antigas serrarias e fábricas que deram origem ao nome “Sagene” (que significa justamente “as serrarias”). Caminhar por lá é como atravessar um pedaço vivo da memória industrial da cidade: construções antigas de tijolos e madeira foram preservadas e hoje abrigam cafés, galerias e residências modernas. O bairro tem uma atmosfera muito autêntica — ao mesmo tempo popular e acolhedora. Os parques ao longo do rio oferecem áreas verdes perfeitas para passeios, enquanto as quedas d’água e pontes antigas criam cenários fotográficos incríveis.

É lá que fica a cervejaria Ringnes Brygghus, que mantém viva a tradição da marca norueguesa. O espaço é famoso por oferecer cervejas artesanais produzidas em seu próprio microbrewery, além das clássicas variedades Ringnes, acompanhadas de refeições que harmonizam com os diferentes estilos de cerveja. Ali, almoçamos tranquilamente e degustamos diferentes rótulos artesanais, cada um com sua personalidade, combinando perfeitamente com o ambiente descontraído e cultural do lugar. Visitar o Ringnes Brygghus é mergulhar na história da cerveja norueguesa: uma experiência que permite saborear cervejas artesanais e premiadas dentro de um prédio que testemunhou mais de um século de tradição, expedições polares e momentos culturais de Oslo.

De lá seguimos até a rua Karl Johans gate para uma paradinha na chocolateria Freia, famosa por seus chocolates maravilhosos, tão bons quanto os meus favoritos suíços. Enquanto caminhávamos pelo centro de Oslo, fomos surpreendidos pelo som vibrante das fanfarras que, em uniformes coloridos, enchiam o ar com metais e percussões, criando uma atmosfera festiva que envolvia moradores e visitantes. Era o Oslo Musikkfest, um grande festival de música que transforma a cidade em palco aberto, com apresentações espalhadas por praças e avenidas.

Antes de retornar para começar a arrumar as malas, ainda deu tempo de um último cafezinho nessa cidade que me presenteou com tantas memórias diferentes de outras viagens. E o mais curioso é que eu ainda nem havia ido embora e já sentia vontade de retornar, para explorar mais e descobrir novos encantos em futuras visitas.

Conhecer Oslo foi, para mim, uma experiência única e diferente. Fiquei surpresa com o silêncio da cidade: mesmo no centro, onde a movimentação é intensa, não se ouvem barulhos de carros, transportes públicos, músicas ou mesmo das pessoas. Outra sensação marcante foi a de segurança e respeito, presentes em cada detalhe do cotidiano. Explorar Oslo foi uma aventura sensacional, singular e inesquecível. Ao me despedir, percebi que essa cidade deixou em mim não apenas lembranças, mas também o desejo imediato de retornar, para continuar descobrindo seus encantos e viver novas experiências que certamente me surpreenderão novamente. 

Até breve. Gi

top spot

Ver de pertinho a pista de salto de esqui, o Holmenkollen, foi uma experiência incrível. No Brasil não temos esse tipo de construção, já que é um esporte de inverno, e por isso foi especial poder conhecer pessoalmente algo que antes eu só via pela internet. Só não foi mais perfeito porque não havia competição ou treino acontecendo com atletas, nem mesmo neve cobrindo a pista para criar o cenário típico desses esportes.

Outro lugar que gostei muito de visitar foi o salão da prefeitura, o Rådhushallen, onde acontece a entrega do Prêmio Nobel da Paz. Como sou bastante imaginativa, fiquei criando na minha cabeça várias cenas desse momento tão simbólico.

feelings

Como comentei no texto acima, Oslo foi um dos lugares em que mais me senti respeitada — tanto como turista quanto como pessoa. Além do silêncio maravilhoso que envolve toda a cidade, havia também uma sensação constante de segurança e respeito. É difícil traduzir em palavras, mas esse sentimento me acompanhou intensamente durante toda a viagem.

info

Fiz essa viagem no final de maio e início de junho de 2022, com hospedagem de 9 dias. Em um deles fiquei em Bergen, numa pequena viagem que fiz até os fiordes. Sobre o silêncio da cidade, Oslo direcionou seus esforços para eliminar gradualmente os veículos movidos a combustíveis fósseis, em favor de soluções totalmente elétricas ou de biogás — um dos motivos para o ambiente silencioso. Além disso, quase todas as pessoas usam fones de ouvido e, quando estão no transporte público ou em espaços coletivos, falam baixo.

Outro ponto curioso é que a cidade funciona em regime cash-free. Oslo — e a Noruega em geral — tem uma política bastante avançada em relação ao uso de dinheiro físico: muitas lojas, restaurantes e serviços não aceitam pagamento em espécie. O país é considerado um dos mais digitalizados do mundo.

A bebida alcoólica é muito cara na Noruega. Foi o lugar mais caro que já visitei nesse aspecto. O consumo é controlado pelo governo, que aplica impostos elevados sobre o álcool para incentivar a moderação. Também percebi que a carne bovina é bastante cara, já que há menor produção local e maior dependência de importação. Por outro lado, o governo incentiva fortemente o consumo de peixe, que é abundante e faz parte da tradição alimentar do país.

Achei belíssimo o traje típico e resolvi deixar aqui uma informação: o traje tradicional da Noruega é chamado Bunad, usado em ocasiões festivas, casamentos e celebrações familiares. Cada região do país tem seu próprio estilo, com regras rígidas de cores, bordados e joias que refletem a identidade local. Existe também uma versão mais moderna, o Festdrakt, sem vínculo específico com regiões, usado por quem deseja participar da tradição sem investir em um Bunad completo.

 

2 comentários sobre “Oslo, Noruega: fiordes, modernidade e heranças vikings.

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