Copenhague: simplicidade, charme e qualidade de vida. Descubra a cidade que celebra o prazer nas pequenas coisas. Hygge.
Entre canais encantadores, design moderno e história viking.
Copenhague, capital da Dinamarca, é muito mais do que um destino turístico: é uma experiência de vida. Reconhecida mundialmente como um dos países mais felizes do planeta, a Dinamarca oferece aos visitantes a oportunidade de mergulhar no conceito de Hygge — a filosofia dinamarquesa de bem-estar, aconchego e prazer nas pequenas coisas. Caminhar pelos canais coloridos de Nyhavn e pelas ruas arborizadas ou saborear um café em ambientes acolhedores são formas de sentir na pele essa atmosfera única. Ao unir tradição viking, arquitetura contemporânea e uma cultura voltada para a qualidade de vida, Copenhague se revela como um lugar onde cada momento é vivido com simplicidade e alegria.
Esta foi a minha primeira viagem pós pandemia. A sensação de retorno a normalidade transbordava. Mas como tudo estava retornando à normalidade, também retornam os perrengues. Tivemos um atraso nos voos desde que saímos de são Paulo e quando finalmente chegamos na estação central de trem de Copenhagen, quase meia noite, não tinham mais trens. Sorte a nossa que nossa anfitriã já havia se disponibilizado para nos buscar na estação de trem próximo a hospedagem, e gentilmente ela e o marido nos buscaram na estação central. Foi uma situação muito tensa, que terminou tudo bem.
No dia seguinte, já com tudo acomodado, seguimos nossa programação. Nossa hospedagem ficava em Lyngby, uma cidade próxima a Copenhague, apenas 20 minutos de trem. E o que você imagina quando vê essa palavra? Na minha cabeça, soava como “linguibi”. Mas eu não poderia estar mais enganada: a pronúncia correta é algo próximo de “Lung-bü” para quem fala português. Quando descobri isso, fez todo sentido o fato de nossa anfitriã repetir essa palavra várias vezes sem que conseguíssemos entender do que ela estava falando.



Os primeiros passos pelo centro de Copenhague nos levaram a descobrir encantadoras casinhas que, originalmente, eram quiosques telefônicos instalados em 1896. Hoje, esses pequenos refúgios servem um líquido mágico, companheiro inseparável de todo viajante: o café.
Seguindo em direção a Nyhavn — o “novo porto” da cidade, famoso pelas casinhas coloridas que estampam cartões-postais — passamos pela praça Kongens Nytorv, onde se destaca o histórico Hôtel d’Angleterre, e também pelo edifício anexo ao Teatro Real Dinamarquês, o Stærekassen.
Ao chegarmos ao ponto mais icônico de Copenhague, tivemos a sorte de encontrar um dia ensolarado. O céu exibia um azul deslumbrante, enquanto o sol refletia no canal, tingindo suas águas de um verde luminoso e encantador.
Além de sua beleza pitoresca, Nyhavn guarda também um valor literário: foi ali que Hans Christian Andersen, célebre autor de clássicos como O Patinho Feio e A Pequena Sereia, viveu por mais de vinte anos.
E nada mais clichê e maravilhoso do que sentar em frente ao canal e pedir uma Carlsberg.




Atravessamos a ponte Inderhavnsbroen para almoçar no Mercado Papiroen, um antigo armazém de papel transformado em um animado polo de street food e cultura. O Mercado Papiroen, conhecido como “Ilha do Papel”, é um dos espaços gastronômicos e culturais mais vibrantes de Copenhague, reunindo dezenas de barracas de comida internacional em um cenário à beira d’água. Ele se tornou um ponto de encontro para moradores e turistas, combinando história industrial com uma atmosfera moderna e descontraída.
A próxima parada foi a Amagertorv, uma das praças mais antigas de Copenhague, onde se destaca a elegante Storkespringvandet (Fonte das Cegonhas), inaugurada em 1894 e símbolo da cidade. Dali seguimos pela Strøget, a famosa rua de pedestres que é considerada uma das mais longas da Europa, repleta de lojas, cafés e artistas de rua que dão vida ao centro histórico. Entre os edifícios que chamam atenção está o imponente Mathias Hansens Gård, uma construção renascentista de 1616 que hoje abriga a prestigiada loja da Royal Copenhagen, conhecida mundialmente por sua porcelana artesanal.
O nosso primeiro dia em Copenhague terminou com uma caminhada pela Strøget. Mais do que uma rua de compras, ela se revela como um espaço vibrante da cidade. A cada esquina surgia um detalhe arquitetônico, um café acolhedor, uma loja local cheia de charme ou uma praça convidativa. Caminhar por ali é sentir Copenhague em sua essência cosmopolita, sem pressa, apenas absorvendo o movimento e a energia que fluem naturalmente. A Strøget é menos sobre o que se adquire e mais sobre o que se vive.









Um novo dia começava, cheio de atrações à nossa espera. Seguimos em direção ao Palácio de Amalienborg e, no caminho, passamos pela lateral da cidadela de Kastellet, atravessando o parque Churchillparken — uma área belíssima, marcada por jardins bem cuidados e esculturas que convidam à contemplação.
Chegamos ao Palácio de Amalienborg, residência oficial da família real dinamarquesa e um dos conjuntos reais mais antigos da Europa. Os quatro palácios idênticos se dispõem em torno de uma praça octogonal, dominada pela imponente estátua equestre do rei Frederico V. A simetria da arquitetura impressiona, e a atmosfera transmite uma mistura de solenidade e tranquilidade.
Antes de começar a visita, deixamos nossas mochilas nos lockers e os casacos na chapelaria (cloakroom) — achei um detalhe muito elegante! O tour inicia no Palácio de Christian VIII, onde funciona o Museu de Amalienborg. Ali, entramos nos aposentos reais preservados, conhecemos salas cerimoniais e vimos de perto objetos pessoais que revelam o cotidiano da monarquia ao longo dos séculos. Entre os destaques estão as joias da coroa, sempre fascinantes de observar. É curioso perceber como a vida privada dos reis e rainhas se mistura com a pompa das cerimônias oficiais.
Depois da visita ao interior, voltamos à praça octogonal para assistir à troca da guarda ao meio-dia. Os soldados marcham em perfeita sincronia, com seus uniformes azuis e chapéus altos de pele, atraindo olhares e câmeras de todos os lados. Seguimos o cortejo até a Frederik’s Church (Igreja de Mármore).









A construção começou em 1749, a pedido do rei Frederico V, mas foi interrompida após a morte do arquiteto principal e cortes de verba, ficando abandonada por mais de 150 anos. Sua cúpula verde parece tocar o céu, e ao entrar fomos envolvidos por uma atmosfera de paz e grandiosidade. Entre colunas e esculturas, o silêncio nos convidava a desacelerar, simplesmente contemplar a beleza do lugar e agradecer..
E então chegou a hora de provar um dos pratos mais típicos da Dinamarca: o smørrebrød, uma fatia de pão de centeio coberta com diferentes combinações de peixe, carne, queijos e acompanhamentos. Atenção para essa informação, é uma refeição fria! O que me decepcionou um pouco, porque eu não gosto de comer refeição fria. Resultado da experiência: não gostei. Mas meu marido achou delicioso, então acho que vale recomendar afinal é a identidade dinamarquesa em cada mordida. É comum que os dinamarqueses escolham diferentes versões e compartilhem à mesa, transformando a refeição em um momento social.









À tarde fomos ao Thorvaldsens Museum, dedicado ao escultor dinamarquês Bertel Thorvaldsen. O espaço reúne não apenas suas obras, mas também coleções de arte clássica, medalhas, livros e objetos pessoais. É considerado o primeiro museu público da Dinamarca e, por si só, uma joia arquitetônica.
O que mais me chamou a atenção foi a variedade das esculturas — peças de diferentes tamanhos e estilos, cada uma com sua própria força expressiva. Sob a luz suave das salas coloridas, parecia que as figuras ganhavam vida, transmitindo emoções e histórias silenciosas. Além das obras monumentais, descobrimos também coleções pessoais que revelam o olhar curioso do artista sobre o mundo, como se Thorvaldsen tivesse reunido fragmentos de culturas e épocas para dialogar com sua própria arte.
Logo depois, subimos ao último andar do ILLUM Rooftop para tomar um café no Original Coffee, bem pertinho da Strøget. A vista dali era simplesmente encantadora. Para quem aprecia um bom café, vale muito a pena conhecer essa rede de cafeterias tão popular em Copenhague. Ela é reconhecida pelos cafés especiais preparados com grãos selecionados e pelo ambiente acolhedor. Além das bebidas, há também pães e doces artesanais produzidos em sua própria padaria — uma pausa deliciosa que recomendo sem hesitar.
Em seguida, seguimos o roteiro até o Hard Rock Café, onde alguém (meu marido) aproveitou para aumentar sua coleção de camisetas. Foi o encerramento perfeito para um dia cheio de descobertas: da pompa da realeza dinamarquesa à tranquilidade da Igreja de Mármore, passando pelo charme dos cafés locais e terminando com um toque divertido e descontraído.









Nada melhor para iniciar um novo roteiro do que visitar um castelo — e o Rosenborg é simplesmente encantador. Construído no início do século XVII pelo rei Christian IV, ele parece saído de um conto de fadas, com suas torres elegantes e tijolos vermelhos refletindo a sofisticação da arquitetura renascentista holandesa. Caminhar por seus salões é como atravessar séculos de história, onde cada detalhe revela o esplendor e a intimidade da monarquia dinamarquesa.
Ao entrar, fomos conduzidos por uma sequência de salas que revelam séculos de história da monarquia dinamarquesa. Cada aposento guarda móveis originais, tapeçarias e objetos pessoais dos reis e rainhas. O quarto de Christian IV, onde o monarca faleceu em 1648, transmite uma atmosfera solene e quase melancólica.
O ponto alto da visita foi descer até o Tesouro Real, onde estão guardadas as joias da coroa dinamarquesa. As coroas ornamentadas com ouro e pedras preciosas brilham sob a iluminação suave, e é impossível não se impressionar com a grandiosidade desses símbolos de poder.
Depois de explorar o interior do castelo, caminhamos pelos jardins do Kongens Have (Jardim do Rei), o parque público mais antigo de Copenhague. Entre alamedas de árvores e rosais bem cuidados, aproveitamos para descansar e contemplar o contraste entre a imponência do castelo e a serenidade do jardim. Foi então que tivemos uma surpresa: de repente, uma sirene começou a soar e vários militares se movimentaram rapidamente, pedindo que todos permanecêssemos atrás de uma linha traçada por eles. Ninguém podia entrar ou sair do castelo. O clima ficou tenso por alguns minutos, até que fomos liberados sem maiores explicações. Até hoje não sabemos ao certo o que aconteceu, mas essa inesperada interrupção acabou tornando a visita ainda mais memorável.












Nosso passeio seguiu até a Rundetaarn, a famosa Torre Redonda de Copenhague. Construída no século XVII por ordem do rei Christian IV, ela é considerada o observatório mais antigo em funcionamento da Europa. Logo na entrada, já chama atenção o fato de não haver escadas: em vez disso, uma rampa em espiral conduz os visitantes até o topo. Caminhar por essa subida suave é como percorrer um túnel histórico, imaginando carruagens e cavalos que, antigamente, também circulavam por ali.
No caminho, passamos por pequenas salas de exposições que hoje abrigam mostras de arte e cultura. A cada curva da rampa, a expectativa aumentava até chegarmos ao terraço. Lá em cima, fomos recompensados com uma vista panorâmica de Copenhague: telhados coloridos, torres de igrejas e a mistura harmoniosa entre o antigo e o moderno. Foi como descobrir a cidade de um novo ângulo, um momento de contemplação sobre como tradição e inovação convivem lado a lado.
Coladinho com a Rundetaarn encontramos o Studenterhuset. Um espaço cultural e social que funciona como ponto de encontro para estudantes e também recebe visitantes em geral. É conhecido por sua atmosfera acolhedora, preços acessíveis e uma programação variada de eventos.






Após essa pequena parada, partimos para um dos passeios mais agradáveis da cidade: o tour de barco pelos canais. Logo ao sair de Nyhavn, as casas coloridas refletiam na água e criavam um cenário quase de pintura. O barco seguia lentamente, passando por palácios, igrejas e construções modernas, revelando como Copenhague mistura tradição e inovação em perfeita harmonia. Além da vista panorâmica da Rundetaarn, esse passeio foi uma forma encantadora de conhecer a cidade sob um novo ângulo, navegando por seus canais e descobrindo suas principais atrações de maneira única. Durante o trajeto, ainda tivemos a oportunidade de ver de perto a famosa estátua da Pequena Sereia — Den Lille Havfrue. Que passeio maravilhoso!
Antes de voltar para o Airbnb, fizemos uma parada em outra cafeteria muito boa: a Espresso House. Trata-se de uma das maiores redes de cafeterias da Escandinávia, com várias unidades espalhadas por Copenhague. O espaço oferece cafés especiais, bolos e refeições rápidas em um ambiente moderno e acolhedor. É uma opção prática para quem deseja uma pausa durante o passeio pela cidade, com preços moderados e localizações convenientes.









No dia seguinte, seguimos para Christianshavn, um bairro charmoso cortado por canais. Ali se ergue a imponente Igreja de Nosso Salvador (Vor Frelsers Kirke), construída no século XVII em estilo barroco. A fachada já impressionava, mas foi a torre em espiral — chamada de Spiraltårnet — que realmente nos chamou a atenção.
Decidimos encarar a subida. São cerca de 400 degraus, e os últimos lances ficam ao ar livre, girando em espiral ao redor da torre. A cada volta, a cidade se revelava sob nossos pés, e o vento forte dava a sensação de estar literalmente ascendendo ao céu.
Do topo, a vista panorâmica de Copenhague era simplesmente deslumbrante. Dizem que em dias claros dá até para ver a Suécia… eu fiquei tentando identificar se aquele pontinho no horizonte era mesmo o país vizinho ou apenas uma nuvem teimosa. Não tenho certeza se vi, mas a brincadeira de “achar a Suécia” deixou a experiência ainda mais divertida.
Naquela tarde, tivemos a oportunidade de assistir a uma apresentação especial do DR Vokalensemblet, em colaboração com estudantes de regência da Yale University. O concerto aconteceu na Helligåndskirken (Church of the Holy Spirit), uma das igrejas mais antigas de Copenhague, localizada bem no coração da cidade, na famosa rua Strøget.
Entrar na Helligåndskirken foi como atravessar séculos de história. Originalmente construída no século XIII como parte de um hospital medieval, a igreja foi transformada em templo após a Reforma Protestante e hoje é um espaço que combina espiritualidade e cultura. O interior é simples, mas acolhedor, com uma atmosfera que valoriza tanto o silêncio quanto a música.
Durante o concerto, as vozes do coro preencheram cada canto da nave, criando uma acústica impressionante. As partituras voavam nas mãos dos músicos, e a energia dos jovens regentes trazia frescor à tradição. Assistir a essa apresentação na Helligåndskirken foi mais do que um espetáculo: foi uma verdadeira experiência cultural.












Saímos caminhando pelo centro e seguimos em direção ao Ørstedsparken. O contraste foi marcante: deixamos para trás a atmosfera solene da igreja, com sua música ecoando nas paredes medievais, e entramos em um parque verde e acolhedor, cheio de vida.
O Ørstedsparken é realmente um dos parques mais bonitos de Copenhague, construído no século XIX sobre antigas fortificações da cidade. Os lagos e pontes criam um cenário romântico, e as árvores altas dão a sensação de refúgio em meio ao movimento urbano.
E, claro, não faltou uma cena divertida: por ali tentei fazer amizade com um cisne majestoso. Ele se aproximou com aquele ar imponente, mas logo percebi que sua atenção estava voltada apenas para comida. Como eu não tinha nada para oferecer, ele me ignorou solenemente e seguiu seu caminho, deixando-me rindo da minha tentativa frustrada de conquistar um novo amigo alado.
Do parque seguimos sem pressa pelas ruas iluminadas de Copenhague, meu marido ainda rindo da minha tentativa de amizade com o cisne. A cidade parecia nos conduzir naturalmente até a Mikkeller, uma das cervejarias mais criativas da capital.
O ambiente era animado, cheio de vozes misturadas em diferentes idiomas e copos coloridos circulando entre as mesas. Experimentamos algumas cervejas artesanais, cada uma com sabores inesperados — algumas refrescantes e cítricas, outras intensamente amargas. Foi divertido comparar impressões e descobrir nossas favoritas.
Encerrar o dia ali, com um brinde, foi como celebrar não só a cidade, mas também o prazer de descobrir novos sabores.






Nosso dia começou com a visita ao Palácio de Christiansborg, localizado na ilha de Slotsholmen. É ali que funcionam o Parlamento Dinamarquês, o Supremo Tribunal e o gabinete do Primeiro-Ministro — um verdadeiro centro do poder nacional. Para preservar os belos salões reais, colocamos protetores nos sapatos e iniciamos o tour pelas Salas de Recepção Reais. Os tapetes coloridos, que narram mil anos da história da Dinamarca, foram de tirar o fôlego. No Grande Salão, a imponência da arquitetura nos envolveu de tal forma que parecia que estávamos no coração da monarquia e da política dinamarquesa. Foi emocionante ver também a Sala do Trono, onde os monarcas são proclamados.












Depois de percorrer os salões, chegamos a um espaço que nunca tinha encontrado em outros castelos: a cozinha real. Foi divertido imaginar aquele ambiente em funcionamento, com panelas tilintando e vozes apressadas preparando banquetes. Em seguida, visitamos os estábulos, com suas carruagens elegantes, e por fim descemos às ruínas subterrâneas. Ali, entre as fundações do antigo castelo de Absalon, a história da cidade parecia ganhar vida diante dos nossos olhos.








A visita ainda trouxe uma surpresa interativa: havia figuras de “monstros” que simbolizavam medos infantis, como insegurança ou solidão. No final, as crianças podiam escrever seus medos em bilhetes e colocá-los dentro de uma enorme boca, como se estivessem se libertando deles. Achei essa abordagem criativa e sensível, que deu um toque inesperado e humano à experiência.






Retornamos ao Hard Rock Café principalmente porque eu queria comprar uma baqueta de LED para o meu sobrinho, e aproveitamos para almoçar por lá. Dali seguimos em direção à orla de Langelinie, onde está a estátua da Den Lille Havfrue, um dos símbolos mais conhecidos de Copenhague. A escultura foi criada por Edvard Eriksen em 1913, encomendada e doada à cidade por Carl Jacobsen, filho do fundador da cervejaria Carlsberg. A inspiração veio de um balé baseado no conto de Hans Christian Andersen, que o encantou e o levou a eternizar a personagem em bronze.
Ela estava ali, delicada e silenciosa sobre a pedra, olhando para o horizonte. É verdade que é menor do que imaginávamos, mas a atmosfera ao redor compensa. Foi assim que terminamos nosso dia, com a imagem dos contos de Hans Christian Andersen na memória e a sensação de que Copenhague guarda encantos em cada detalhe de sua história e cultura.










O dia amanheceu com um sorriso no rosto do meu marido, já que íamos fazer uma das atividades que ele mais gosta: assistir a uma partida de futebol. Fomos ao Parken Stadium, casa do FC København. Chegamos um pouco atrasados, já que o estádio fica afastado do centro, mas nossos assentos estavam lá nos esperando, cercados por torcedores apaixonados do time da casa. Apesar de também ser o estádio oficial da seleção da Dinamarca, naquele dia recebia a final da Superliga Dinamarquesa entre o FC København e o AaB Aalborg — um jogo que garantiu ao time da casa o seu 14º título nacional.
Compramos pipoca e a tradicional cerveja Carlsberg, e nos deixamos levar pelo espetáculo dentro e fora de campo. A torcida organizada deu um verdadeiro show, com balões coloridos e cantorias que não paravam um minuto. Confesso que estou gostando bastante dessas experiências futebolísticas: é impossível não se contagiar com a energia e a paixão que o futebol desperta ao redor do mundo.






No dia seguinte fomos ao Parque Tivoli, um dos lugares mais icônicos da Dinamarca. Inaugurado em 1843, é o segundo parque de diversões mais antigo em funcionamento no mundo. O nome “Tivoli” vem dos jardins de Paris, que por sua vez remetem à cidade italiana de mesmo nome. Walt Disney visitou o Tivoli em 1951 e ficou tão encantado com sua atmosfera mágica, os jardins iluminados e o equilíbrio entre diversão, cultura e natureza, que o parque se tornou uma das inspirações para a criação da Disneyland.
As atrações chamam atenção de todos os lados: desde brinquedos radicais, como a montanha-russa de madeira que funciona desde 1914, até carrosséis que parecem saídos de outra época. A montanha-russa pode não ser a mais radical do mundo, mas não deve ser subestimada — meu marido até perdeu um boné durante o passeio! Os jardins, cuidadosamente planejados a partir das áreas verdes da antiga fortificação da cidade, são parte essencial da experiência. Mais do que um parque de diversões, o Tivoli é um espaço de contemplação e beleza. Tivemos ainda a oportunidade de assistir a parte do ensaio de um grupo infantil de balé masculino, o que trouxe um toque cultural inesperado à visita.
O parque estava ainda mais especial por conta das comemorações do jubileu de ouro da Rainha Margrethe II, celebrando seus 50 anos de reinado. Havia exposições de figurinos criados pela própria Rainha para balés apresentados ali, além de apresentações culturais e um clima festivo espalhado pelos jardins. Entre uma volta e outra, paramos para almoçar e, claro, acompanhamos a refeição com uma Carlsberg — a cerveja que parece estar presente em todos os momentos da viagem. Mais tarde, ainda experimentamos algumas delícias e tomamos café da tarde, aproveitando cada detalhe.
Passear pelo Tivoli foi como entrar em um conto de fadas. Os jardins floridos, os lagos e a atmosfera alegre mostravam por que o parque inspirou Walt Disney. Hans Christian Andersen também se deixou levar pelo encanto do lugar logo após sua inauguração, inspirando-se nele para escrever o conto: O Rouxinol. Embora não tenhamos ficado até a noite, é sabido que o parque se transforma quando milhares de luzes se acendem e shows musicais acontecem em seus palcos. Mesmo sem essa experiência, Tivoli já nos mostrou que, gostando ou não de parques de diversões, vale a visita — nem que seja apenas para se perder em seus jardins mágicos.















Continuando nossa jornada por Copenhague, seguimos até Nordhavn, de onde nosso ferry partiria para a Noruega no dia seguinte. O bairro é encantador: um dos distritos mais modernos e vibrantes da cidade, transformado de antigo porto industrial em um dos maiores projetos urbanos sustentáveis da Europa. Hoje combina arquitetura arrojada, vida cultural, espaços de lazer e uma atmosfera única à beira-mar.
O ferry também nos surpreendeu — nada parecido com o que estamos acostumados, mas sim um verdadeiro minicruzeiro! Se você quer saber como foi nossa travessia entre Dinamarca e Noruega, clique aqui.
O lugar era tão agradável que decidimos almoçar em uma pizzaria por ali, aproveitando cada instante dos nossos últimos dias.






Depois retornamos ao centro da cidade para conhecer um dos bairros mais controversos de Copenhague: Christiania. Trata-se de um “território livre” dentro da Dinamarca, com leis próprias e uma atmosfera única. É curioso: você está em Copenhague e, de repente, ao atravessar um muro, já não parece estar nem na União Europeia. A comunidade surgiu nos anos 70, quando um grupo de hippies e artistas ocupou uma grande área militar abandonada como forma de protesto contra o governo. Durante muito tempo, as autoridades tentaram expulsar os moradores, mas não conseguiram. Com o tempo, chegaram a um acordo e os residentes passaram a arcar com os custos e a manter a infraestrutura local. Hoje, Christiania abriga cerca de mil pessoas e possui serviços próprios, que vão desde limpeza de ruas e coleta de lixo até correios e escola. Também é possível comprar lembranças por lá.
Se eu gostei do que vi? Não. Cada um vive como quiser, não me importo, mas fui conhecer apenas por curiosidade. Para mim, não é um lugar que combina com meu estilo.
Voltando aos passeios mais clássicos, caminhamos sem rumo pelo charmoso bairro de Christianshavn, planejado no século XVII e famoso por seus canais que lembram Amsterdã. Para encerrar o dia, fizemos uma última parada em Nyhavn, a rua mais fotografada de Copenhague, perfeita para uma despedida especial. Ali perto, descobrimos um banheiro público que parecia nos transportar ao século passado: inspirado em estilos clássicos, com azulejos trabalhados e detalhes que remetem ao início do século XX. Diferente da simplicidade que se espera de um espaço desse tipo, ele foi projetado com uma decoração surpreendente, quase cenográfica, que realmente parece saída de um filme. Muito bem cuidado e, para completar, gratuito! Mesmo que você não precise usar, vale a pena dar uma espiadinha.






Nosso último dia em Copenhague foi sem roteiro definido. Fomos até o aeroporto para resolver uma pendência antes da partida e aproveitamos para andar de metrô — diferente do que estamos acostumados, ele passa por cima, em vez de seguir apenas por túneis, e a paisagem vista pelas janelas é encantadora.
Almoçamos no Torvehallerne, um mercado vibrante que reúne frutas, verduras, queijos, sanduíches, produtos típicos e bebidas. A refeição, confesso, não me agradou: era algo frio e diferente do que gosto, já que não sou fã de comida fria. Mas o local em si é incrível, cheio de energia, e eu certamente passaria muito mais tempo explorando suas bancas e sabores. O restante do dia foi dedicado a organizar as bagagens e se preparar para uma nova aventura: seguir rumo à Noruega.
Se você ficou curioso para saber como foi nossa estada na Noruega, clique aqui e acompanhe os próximos capítulos dessa jornada. A aventura continua, e cada novo destino guarda descobertas que valem ser compartilhadas.






Assim nos despedimos de Copenhague, uma cidade que nos recebeu com charme, história e modernidade em cada esquina. Foram dias intensos, cheios de descobertas e contrastes, entre bairros clássicos e projetos urbanos futuristas, entre tradições e ousadias culturais. Ao fechar as malas, levamos não apenas lembranças materiais, mas também a sensação de que cada momento vivido ali foi especial. Era hora de seguir viagem, com o coração cheio de gratidão e a expectativa vibrante de explorar nossa próxima aventura.
Até breve. Gi

top spot
Copenhague me presenteou com momentos inesquecíveis: da cozinha real no Christianborg Castle ao coral na Helligåndskirken, passando pela emoção da Superliga Dinamarquesa. Mas foi no Tivoli que encontrei meu lugar favorito. Entre jardins floridos, histórias que inspiraram Walt Disney e o encanto de Hans Christian Andersen, percebi que não há como não se deixar levar pela beleza e pelo cuidado desse espaço. Ali, o tempo parece desacelerar e a palavra hygge ganha forma — um aconchego que se sente no coração e que transforma simples instantes em memórias eternas.

feelings
O que é hygge? A palavra tem origem no dinamarquês e no norueguês, ligada a termos antigos que significam “pensar”, “confortar” ou “acolher”. Mais do que uma palavra, é um conceito que descreve uma sensação de aconchego, segurança emocional e prazer nas coisas simples da vida. O hygge pode ser vivido em pequenos gestos: acender velas, saborear uma bebida quente, reunir amigos para uma refeição caseira ou simplesmente relaxar em silêncio. Na Dinamarca, o hygge é considerado uma verdadeira filosofia de vida, que valoriza conforto, simplicidade e conexão humana. Não se trata apenas de estética ou decoração, mas de criar momentos de bem-estar, seja sozinho ou em companhia. É um dos pilares da felicidade dinamarquesa e explica em parte por que o país figura entre os mais felizes do mundo. E foi exatamente assim que me senti em Copenhague: acolhida, tranquila e em harmonia com o ambiente ao meu redor. Trouxe esse espírito para minha casa, buscando recriar, nos pequenos detalhes do dia a dia, o sentido profundo da palavra hygge.

info
Estive na Dinamarca em maio de 2022 e fiquei hospedada por 10 dias. O Parque Tivoli oferece diferentes tipos de ingressos, que variam entre a entrada simples, passes com acesso ilimitado às atrações e opções especiais para temporadas festivas, como Natal e Halloween. Para quem não é muito fã dos brinquedos, existe a opção de adquirir apenas o ingresso de entrada, ideal para passear pelos jardins e admirar toda a beleza do lugar.
Na Dinamarca, bebidas alcoólicas podem ser compradas em supermercados, lojas de conveniência e bares, já que não existe monopólio estatal. A venda não é restrita a lojas especializadas, mas segue regras claras: cerveja e vinho (até 16,5% de álcool) podem ser adquiridos a partir dos 16 anos, enquanto destilados e bebidas mais fortes apenas a partir dos 18. Se você, assim como eu, gosta de comprar vinhos e cervejas para degustar durante a estadia ou mesmo trazer de lembrança, vale reservar algumas coroas dinamarquesas só para isso — afinal, o custo é consideravelmente alto.
